UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

UnB busca voluntários para nova etapa de estudo sobre saúde jovem

Projeto vai comparar dados atuais com os resultados da primeira etapa da pesquisa, que aconteceu em 2013/2014

Júlio Noronha*
postado em 16/03/2026 16:10 / atualizado em 16/03/2026 17:24
O estudo pretende identificar como hábitos de vida adotados na juventude influenciam a saúde na fase adulta -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
O estudo pretende identificar como hábitos de vida adotados na juventude influenciam a saúde na fase adulta - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) estão trabalhando no Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) no Distrito Federal. A etapa atual do projeto pretende reencontrar participantes da mesma pesquisa realizada entre 2013 e 2014 para avaliar como está a saúde desses indivíduos mais de uma década depois.

Na época do estudo original, milhares de estudantes participaram da investigação nacional sobre fatores de risco para doenças cardiovasculares na adolescência. Agora, os voluntários, hoje com idades entre 24 e 30 anos, são convidados a repetir exames e avaliações clínicas para que os pesquisadores possam acompanhar a evolução da saúde ao longo do tempo.

A pesquisa foi coordenada pela professora Kenia Mara Baiocchi de Carvalho, do Departamento de Nutrição da UnB. O estudo pretende identificar como hábitos de vida adotados na juventude influenciam a saúde na fase adulta. Entre os aspectos analisados estão o uso de cigarros eletrônicos, a prática de atividade física e os padrões alimentares.

Segundo a pesquisadora, estudos longitudinais, realizados ao longo de vários anos, oferecem resultados mais robustos do que análises pontuais. “Esse tipo de pesquisa permite investigar de forma aprofundada os efeitos ambientais sobre a saúde e propor intervenções e políticas públicas mais eficazes, especialmente no controle das doenças crônicas não transmissíveis”, explica.

Um dos achados da pesquisa original revelou que 10% dos adolescentes brasileiros apresentavam obesidade, percentual superior ao estimado até então, o que mobilizou os órgãos públicos a tomarem medidas para combater o fato. Os novos dados também devem contribuir para orientar políticas públicas de prevenção, principalmente relacionadas às doenças cardiovasculares.

O objetivo do projeto é retomar contato com cerca de 2 mil jovens que participaram da pesquisa original em Brasília, repetindo exames realizados na adolescência e comparando aos resultados atuais. O estudo também vai receber novos voluntários da mesma faixa etária, permitindo comparar indicadores de saúde entre duas gerações diferentes.

Os participantes passam por uma série de avaliações clínicas e laboratoriais, incluindo exames de sangue, eletrocardiograma, ecocardiograma, ultrassonografia abdominal, retinografia e espirometria. Também são realizadas medições físicas, análise do consumo alimentar e monitoramento do nível de atividade física por meio de acelerômetros.

“A gente pede que os ex-participantes retornem para que possamos avaliá-los novamente. Isso permite não apenas atualizar os exames, mas também realizar novas análises que vão muito além de um check-up completo”, afirma Kenia Mara Baiocchi de Carvalho.

Aqueles que quiserem se voluntariar para a nova etapa do estudo podem fazer os exames gratuitamente em unidades do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e do Laboratório Sabin, ambos em Brasília. O estudo também oferece auxílio para deslocamento, transporte entre os locais de avaliação e atestado de comparecimento.

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