
O hábito de tomar chá antes de dormir é um dos recursos mais conhecidos no dia a dia. Entre as opções mais populares está o chá de camomila, reconhecido por seu efeito calmante. A bebida também é associada ao alívio de desconfortos digestivos, o que ajuda a explicar sua presença constante nas rotinas de cuidado e bem-estar.
De acordo com a nutricionista Ana Clara Cruz, os efeitos da camomila estão ligados a compostos naturais presentes na planta. Entre eles, a apigenina chama atenção por sua atuação no sistema nervoso central, promovendo um efeito sedativo leve. “Essa substância se liga a receptores específicos e contribui para o relaxamento, o que pode favorecer a qualidade do sono, especialmente em casos de insônia leve”, explica.
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Além da apigenina, outros componentes como bisabolol e camazuleno também exercem papel importante. Com propriedades anti-inflamatórias, eles ajudam a reduzir tensões no organismo e potencializam a sensação de relaxamento após o consumo do chá.
O efeito sobre o sono, no entanto, não é o único benefício associado à bebida. A camomila também apresenta ação no sistema digestivo, o que vai além de um simples efeito de conforto. Segundo a nutricionista, há evidências de que o chá pode ajudar no alívio de cólicas, gases e irritações na mucosa gástrica.
“A camomila tem efeito carminativo e anti-inflamatório, o que contribui para reduzir desconfortos abdominais. Estudos apontam benefícios no alívio de dispepsia leve e sintomas gastrointestinais funcionais”, afirma.
Apesar da fama de bebida segura, o consumo exige atenção. A camomila pode causar reações alérgicas em pessoas sensíveis e também interagir com alguns medicamentos, especialmente anticoagulantes e sedativos, potencializando seus efeitos.
O consumo em excesso também não é recomendado. Para adultos saudáveis, a ingestão costuma ser considerada segura entre uma e três xícaras por dia, desde que preparada de forma adequada. Quantidades maiores podem aumentar o risco de efeitos indesejados.
Outro ponto que gera dúvidas é a forma de preparo. A versão feita com flores naturais tende a preservar maior concentração de compostos ativos, desde que armazenada corretamente. Já os sachês industrializados oferecem praticidade e maior controle sanitário, mas podem apresentar redução parcial desses componentes devido ao processamento.
Mesmo com diferenças, ambas as formas podem ser eficazes quando utilizadas corretamente. A escolha depende da rotina e da preferência de cada pessoa, desde que o consumo seja consciente.
Ainda assim, a orientação é clara. Mesmo produtos considerados simples e tradicionais devem ser consumidos com moderação e informação, para que os benefícios não sejam acompanhados de riscos.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe

Ciência e Saúde
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