Após concluir um sobrevoo inédito pelo lado oculto da Lua, a missão Artemis II iniciou, na segunda-feira (6/4), a trajetória de retorno à Terra. A cápsula Orion, com quatro astronautas a bordo, completou a fase mais crítica do voo ao atingir o ponto mais próximo da superfície lunar e ingressar no chamado trajeto de “retorno livre”, que utiliza a gravidade para conduzir a nave de volta com segurança.
A missão, conduzida pela Nasa, marca o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos. Durante cerca de sete horas, a tripulação realizou observações detalhadas do lado oculto do satélite natural, região que não é visível da Terra, e coletou dados relevantes para futuras explorações.
O momento mais delicado ocorreu durante a passagem atrás da Lua, quando a comunicação com a Terra foi interrompida por aproximadamente 40 minutos, como previsto pelos controladores da missão. O sinal foi restabelecido logo após a Orion emergir do outro lado. “É tão bom ouvir a Terra novamente”, afirmou a astronauta Christina Koch, em comunicação com o centro de controle.
Em seguida, a astronauta destacou o simbolismo da missão: “Para a Ásia, África e Oceania, estamos olhando para vocês. [...] Vamos explorar, construir e inspirar. Mas, no fim das contas, sempre escolheremos a Terra”.
Durante o sobrevoo, a Orion atingiu uma altitude mínima de cerca de 6.545 quilômetros da superfície lunar e alcançou a distância máxima de 406.700 quilômetros da Terra, um recorde para voos tripulados, superando a marca da missão Apollo 13.
Imagens captadas por câmeras a bordo revelaram detalhes do terreno lunar, incluindo crateras, antigos fluxos de lava e fraturas geológicas. A tripulação sugeriu nomes para duas crateras observadas: “Integrity”, em referência à espaçonave, e “Carol”, homenagem pessoal do comandante Reid Wiseman à sua falecida esposa.
Outro fenômeno observado foi um eclipse solar de quase uma hora, registrado enquanto a nave cruzava a sombra da Lua. Durante esse período, foram identificados seis breves flashes de luz na superfície lunar, possivelmente causados pelo impacto de pequenos fragmentos.
A expectativa agora se volta para a reentrada da cápsula Orion na atmosfera terrestre, prevista para os próximos dias. A operação será monitorada de perto e deve encerrar a missão com um pouso controlado no oceano.
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