SAÚDE

Airfryer vs fritura tradicional: saúde, custo e sabor entram em debate

Embora a fritadeira elétrica facilite a rotina e reduza drasticamente o uso de óleo, a nutricionista Ana Clara da Cruz Silva alerta que o aparelho não torna qualquer alimento saudável automaticamente

A fritura tradicional sempre foi muito utilizada, até a chegada das airfryers nas cozinhas brasileiras. Com a promessa de refeições aparentemente mais saudáveis e sem abrir mão da praticidade, o aparelho tem facilitado muito a vida das pessoas. 

Mas, apesar da fama de “aliada da dieta”, a nutricionista Ana Clara da Cruz Silva alerta que o aparelho, também conhecido como fritadura elétrica, não transforma automaticamente qualquer alimento em saudável. Segundo a especialista, apesar do principal benefício estar na forma de preparo, com menos gordura e menor formação de compostos prejudiciais, a qualidade dos ingredientes e o conjunto da alimentação continuam sendo determinantes para a saúde.

“Enquanto a fritura por imersão utiliza grandes quantidades de óleo em altas temperaturas, a airfryer funciona com circulação de ar quente, praticamente dispensando gordura adicional.” explica a nutricionista. 

Ana conta ao Correio que isso reduz a formação de compostos indesejáveis, como produtos da oxidação lipídica, que podem surgir principalmente quando o óleo é reutilizado. Em alguns casos, essas substâncias estão associadas a riscos à saúde, incluindo o desenvolvimento de doenças ao longo do tempo.

Apesar disso, ela reforça um ponto importante: alimentos ultraprocessados continuam sendo prejudiciais, independentemente da forma de preparo. “Um alimento ultraprocessado feito na airfryer não se torna saudável automaticamente”, destaca.

Comidas como batata frita, frango empanado e salgados são os principais beneficiados, já que deixam de absorver grandes quantidades de gordura. Além disso, vegetais podem ganhar espaço no cardápio com o uso do aparelho.

Ana dá uma dica: quando os vegetais são preparados na airfryer, eles ficam mais crocantes e atrativos, sem necessidade de adicionar óleo, o que pode incentivar um consumo maior desses alimentos no dia a dia. Por outro lado, em preparações que já seriam assadas ou grelhadas, o impacto positivo tende a ser menor.

Calorias e emagrecimento: o que muda na prática

Ana explica que a redução de gordura no aparelho impacta diretamente no valor calórico dos alimentos. Na fritura tradicional, parte do óleo é absorvida, aumentando significativamente as calorias da refeição. Já na airfryer, essa absorção é praticamente inexistente.

Mesmo assim, a nutricionista faz um alerta: essa diferença, isoladamente, não garante emagrecimento. “O resultado depende do contexto geral da alimentação e do estilo de vida. A airfryer pode ajudar no controle calórico, mas não faz milagre sozinha”, explica.

Perda de nutrientes também acontece.

A especialista esclarece que, assim como qualquer método que utiliza calor, a airfryer pode causar perdas nutricionais, especialmente de vitaminas mais sensíveis, como a vitamina C e algumas do complexo B. No entanto, isso não é uma exclusividade do aparelho. 

A nutricionista também explica que o tempo de preparo é importante para a preservação dos nutrientes no alimento, “ajudando a preservar melhor alguns nutrientes em comparação a métodos mais prolongados, como o forno tradicional”, completa. 

Além das questões de saúde, o custo-benefício entra na conta. Embora haja um investimento inicial na compra do equipamento e consumo de energia elétrica, a redução no uso de óleo pode representar economia ao longo do tempo.

Outro ponto relevante levantado pela nutricionista é a eliminação da necessidade de reutilizar ou descartar óleo, prática comum na fritura tradicional e que traz impactos tanto para a saúde quanto para o meio ambiente.

Sabor

Ela explica que, em relação ao gosto da comida, a fritura tradicional ainda leva vantagem para muitas pessoas. “A gordura intensifica aroma, textura e palatabilidade dos alimentos, o que explica sua preferência popular”, enfatiza. 

A airfryer, no entanto, consegue se aproximar desse resultado, embora ainda existam diferenças perceptíveis. Em relação à saciedade, não há evidências científicas de que um método seja superior ao outro. O que pode influenciar, na prática, é a maior densidade calórica dos alimentos fritos em óleo.

*Estagiária sob supervisão de Paulo Leite

 

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