Desenvolvimento Infantil

O impacto das telas no cérebro da criança: o que diz a ciência?

A exposição excessiva a celulares e tablets pode afetar o desenvolvimento da fala, sono e atenção; entenda os riscos e as recomendações médicas

O uso excessivo de celulares e tablets por crianças tornou-se uma das maiores preocupações de pais e educadores. A exposição prolongada a telas digitais está diretamente associada a impactos no desenvolvimento cerebral infantil, afetando áreas cruciais como a fala, a qualidade do sono e a capacidade de concentração.

Um dos efeitos mais visíveis ocorre na aquisição da linguagem. Atrasos na fala são frequentemente observados em crianças pequenas com alto tempo de tela. Isso acontece porque o aprendizado da comunicação depende da interação humana, da troca de olhares e da resposta a estímulos verbais e não verbais, algo que um aparelho eletrônico não oferece.

O cérebro infantil, em pleno desenvolvimento, aprende a se comunicar por meio da observação e da repetição em conversas com cuidadores. Quando a tela se torna a principal fonte de entretenimento, essa janela de aprendizado interativo é reduzida, o que pode comprometer a formação de novas palavras e a construção de frases.

A qualidade do sono é outra área severamente afetada. A luz azul emitida por celulares e tablets inibe a produção de melatonina, o hormônio responsável por regular o sono. Com a supressão da melatonina, a criança demora mais para adormecer e tem um sono mais fragmentado e menos reparador, o que prejudica o humor e o aprendizado no dia seguinte.

Como equilibrar o uso de telas?

A solução não está em proibir completamente, mas em gerenciar o tempo e a qualidade do conteúdo. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em suas diretrizes atualizadas em 2024, oferece orientações claras para minimizar os riscos e promover um uso saudável da tecnologia.

  • Leia também: 6 dicas para proteger a visão das crianças diante das telas
  • Até 2 anos: evitar completamente a exposição a telas, com exceção de videochamadas com familiares.

  • De 2 a 5 anos: limitar o uso a, no máximo, uma hora por dia, sempre com a supervisão de um adulto e priorizando conteúdos educativos e de qualidade.

  • De 6 a 10 anos: o tempo pode ser de uma a duas horas diárias, com supervisão e regras bem definidas sobre o que pode ser acessado.

  • Crie zonas sem telas: estabeleça regras para que eletrônicos não sejam permitidos durante as refeições e nos quartos, especialmente perto da hora de dormir.

  • Seja o exemplo: os pais são o principal modelo de comportamento. Reduzir o próprio tempo de uso do celular na frente dos filhos é fundamental para que as regras sejam eficazes.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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