HANTAVÍRUS

Hantavírus: entenda sobre sintomas, transmissão e tratamentos

Vírus transmitido por roedores silvestres pode causar quadro grave e afetar pulmões rapidamente; infectologista explica sinais de alerta e formas de prevenção

Transmitida principalmente por roedores silvestres, a doença ainda gera dúvidas sobre sintomas, transmissão, tratamento e formas de prevenção. -  (crédito: Centros de Controle e Prevenc?a?o de Doenc?as/Divulgac?a?o)
Transmitida principalmente por roedores silvestres, a doença ainda gera dúvidas sobre sintomas, transmissão, tratamento e formas de prevenção. - (crédito: Centros de Controle e Prevenc?a?o de Doenc?as/Divulgac?a?o)

Febre, dor no corpo, cansaço e dor de cabeça. Em um primeiro momento, os sintomas podem parecer apenas mais uma virose comum — ou até dengue, gripe e covid-19. Mas, em alguns casos, o quadro evolui rapidamente para falta de ar intensa e comprometimento pulmonar grave. É assim que o vírus do hantavírus pode se manifestar no corpo humano.

Transmitida principalmente por roedores silvestres, a doença ainda gera dúvidas sobre sintomas, transmissão, tratamento e formas de prevenção. Segundo o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Marcelo Cordeiro, o maior perigo está justamente na semelhança inicial com outras infecções virais.

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“Os sintomas iniciais são muito parecidos com uma virose. Começa com febre, dor no corpo, dor de cabeça, pode ter dor abdominal e até diarreia. Pode ser confundido com dengue, influenza e até covid”, explica o médico.

No Brasil, a forma mais frequente da doença é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, que pode comprometer rapidamente os pulmões e o sistema circulatório.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes e saliva de roedores infectados. O risco aumenta em locais fechados por longos períodos, especialmente em áreas rurais, sítios, galpões, depósitos, celeiros ou ambientes com presença de ratos silvestres.

“Essa exposição acontece principalmente quando a pessoa vai varrer ou mexer em um ambiente fechado há muito tempo. Ao levantar poeira contaminada, ela pode inalar o vírus”, alerta Marcelo.

Segundo o infectologista, os casos são mais comuns em áreas rurais ou periurbanas. Nas cidades, a ocorrência é menos frequente. “Não são os ratos de esgoto que normalmente vemos nos centros urbanos. O hantavírus está mais associado aos roedores silvestres”, destaca.

Sintomas podem aparecer até semanas depois

Outro fator que dificulta o diagnóstico é o tempo entre a exposição e o surgimento dos sintomas. De acordo com o especialista, a pessoa pode adoecer dias, ou até mais de um mês, após o contato com o vírus. “Após a exposição, a pessoa pode apresentar sintomas até 45 dias depois, chegando a dois meses em alguns casos”, afirma.

Os sintomas iniciais mais comuns incluem:

  • febre;
  • dor muscular;
  • dor de cabeça;
  • cansaço;
  • dor abdominal;
  • náuseas e diarreia.

Os sinais de gravidade costumam surgir de forma rápida e exigem atendimento médico imediato. “Quando a pessoa começa a ter falta de ar, muito cansaço, queda de pressão ou tontura, isso indica piora importante do quadro clínico”, explica o infectologista.

Existe tratamento para hantavírus?

Não existe um medicamento específico contra o hantavírus. O tratamento é feito com suporte médico, principalmente para controlar os sintomas e auxiliar a respiração nos casos graves. O diagnóstico é realizado a partir da avaliação clínica e do histórico de exposição a ambientes contaminados por roedores. Exames laboratoriais específicos ajudam a confirmar a infecção.

“A suspeita começa pelos sintomas compatíveis e pela história de exposição a roedores ou locais contaminados. Isso é fundamental para que a equipe médica pense na possibilidade de hantavírus”, afirma Marcelo.

Além da sorologia específica para o vírus, exames de sangue, radiografias e avaliação da oxigenação também podem auxiliar na investigação. Apesar da possibilidade de evolução grave, o médico ressalta que muitos pacientes se recuperam bem. “A maioria dos casos tende a ser mais leve e a pessoa se recupera. Mas, nos quadros graves, mesmo após sobreviver, o paciente pode permanecer com cansaço e fraqueza por mais tempo”, pontua.

Quando procurar atendimento?

O especialista reforça que qualquer quadro febril com piora rápida deve ser avaliado imediatamente por uma equipe de saúde. “O indivíduo que começa com febre e evolui com falta de ar, tontura, vômitos intensos, dor abdominal forte ou queda da pressão precisa procurar atendimento médico imediatamente”, alerta.

Segundo ele, informar sobre contato com áreas fechadas, limpeza de galpões, sítios ou locais com presença de roedores pode fazer toda a diferença no diagnóstico.

Como prevenir o hantavírus?

A principal recomendação é evitar levantar poeira em ambientes possivelmente contaminados. “Nunca se deve varrer a seco ou usar aspirador em locais fechados com presença de roedores, porque isso espalha partículas contaminadas no ar”, explica o infectologista.

As orientações incluem:

  • deixar o ambiente ventilado por pelo menos 30 minutos antes da limpeza;
  • utilizar máscaras e luvas;
  • umidificar o local antes de limpar;
  • usar água sanitária ou desinfetantes para reduzir o risco de partículas no ar.

“Evitar a poeira é fundamental para não disseminar o vírus no ambiente”, reforça Marcelo.

O médico também chama atenção para a importância de buscar informações em fontes confiáveis. “As pessoas devem procurar fontes oficiais e evitar informações falsas, porque isso só dissemina desinformação e não traz benefício para ninguém”, conclui.

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postado em 12/05/2026 19:28
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