Uma pesquisa recente desenvolvida pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), mostrou que mais de 2 mil cidades brasileiras estão sujeitas a riscos de deslizamentos e inundações. Segundo o estudo, 75% das cidades listadas apresentaram menos da metade dos planos e mapeamentos obrigatórios para a redução dos riscos desses tipos de desastres.
O artigo foi publicado na Revista Brasileira de Geografia, intitulado Capacidades organizacionais de gestão de riscos de desastres geo-hidrológicos em municípios prioritários no Brasil. O estudo destaca que o maior número de municípios em condições de risco estão localizados na região Nordeste, onde estão as prefeituras com o orçamento mais baixo.
Ao longo dos últimos anos, cidades com o cadastro prioritário na chamada Gestão de Riscos e Desastres (GRD) mais que dobraram. Em 2012, quando foi implementada a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC), os municípios em situação de prioridade eram 821, número que saltou para 2086 nos dias atuais.
Para chegar a esses números, os pesquisadores utilizaram a Pesquisa de Informações Básicas Municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para descobrir quantos desses municípios selecionados contam com defesa civil municipal, revelando que 267 desses deles não contam com esse tipo de assistência do estado.
Victor Marchezini, pesquisador do Cemaden e coordenador do Projeto COPE, avalia que a pesquisa pode ter forte repercussão. “Publicamos o estudo em português e com acesso gratuito. Isso permite que os gestores públicos, formuladores, deputados, senadores e assessores possam ler mais facilmente, sem esperar mais um grande desastre para se mobilizar”.
Os dados mostram também que os planos para a contingência desse tipo de catástrofe e redução dos riscos de desastres são baixos, sendo implementados apenas por 9% dos municípios.
*Estagiário sob supervisão de Aline Gouveia
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