CÂNCER DE PELE

Lula inicia tratamento contra câncer de pele; médico explica protocolo

Após retirada de lesão localizada, presidente deve passar por 14 sessões de radioterapia. Especialista explica por que tratamento complementar pode ser indicado mesmo sem sinais de disseminação da doença

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou as 14 sessões de radioterapia como parte do tratamento contra um carcinoma basocelular, tipo de câncer de pele que, no caso do presidente, foi identificado de forma localizada e sem disseminação para outras partes do corpo, segundo informações divulgadas anteriormente pela equipe médica.

A indicação da radioterapia após a retirada do tumor gerou dúvidas sobre a necessidade do tratamento complementar. Especialistas explicam que, em alguns casos, a conduta pode fazer parte do protocolo médico para reduzir riscos futuros, mesmo após a cirurgia. Em abril, após a remoção da lesão, a dermatologista Cristina Abdala explicou que o carcinoma basocelular “não espalha para nenhum lugar” e costuma apresentar bom prognóstico quando tratado precocemente.

Agora, a etapa seguinte envolve a radioterapia. Segundo Márcio Almeida, oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o tratamento complementar pode ser indicado a depender das características identificadas pela equipe médica.

“Dependendo do tipo histológico, da extensão da lesão e achados cirúrgicos, a radioterapia adjuvante ou preventiva pode ser uma conduta absolutamente habitual em tumores cutâneos do couro cabeludo. O objetivo da radioterapia, então, é reduzir o risco de doença residual microscópica, especialmente em cenários considerados de maior risco”, explica.

Prevenção 

De acordo com o especialista, a indicação não significa, necessariamente, que exista doença ativa. “A radioterapia é exatamente uma medida preventiva, pois em geral, quando falamos em radioterapia pós-cirurgia nesses casos, estamos falando de um tratamento complementar com intenção preventiva, buscando diminuir o risco de recidiva local do carcinoma”, afirma.

“Ela não significa necessariamente presença de doença ativa, mas sim uma estratégia de redução de risco da doença voltar”, acrescenta.

A expectativa é que Lula consiga manter a rotina durante o tratamento. Informação que foi confirmada pela equipe do presidente. O boletim médico divulgado anteriormente já indicava essa possibilidade.“Na maior parte dos casos, sim. A radioterapia superficial ou localizada em couro cabeludo costuma permitir manutenção das atividades habituais. Alguns pacientes podem apresentar efeitos locais, como vermelhidão, irritação cutânea, sensibilidade na região tratada ou fadiga leve”, diz Márcio Almeida.

Segundo o oncologista, as sessões costumam ser rápidas e não exigem procedimentos invasivos. “O paciente é posicionado cuidadosamente no aparelho. O tratamento em si dura poucos minutos. É indolor e não exige anestesia nem internação. O mais demorado geralmente é o posicionamento técnico para garantir precisão na aplicação da radiação”, explica.

O especialista também destaca que, na maior parte das vezes, pacientes submetidos a esse tipo de tratamento conseguem manter boa parte das atividades do dia a dia. “Mais frequentemente conseguem aproveitar boa parte da rotina”, conclui.

 

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