
A enterobactina, uma molécula produzida por bactérias intestinais, pode ser a chave para reduzir a inflamação no intestino. Sua ação não ataca o sistema imunológico diretamente, mas diminui de forma temporária a produção de energia da própria célula.
A conclusão é de um estudo liderado por Matam Vijay-Kumar, professor da Universidade de Toledo, e publicado no periódico científico Gut Microbes. A pesquisa é resultado de mais de uma década de trabalho do laboratório sobre a enterobactina, secretada por bactérias como a E. coli para capturar ferro.
Leia Mais
-
Os melhores alimentos para uma vida saudável e com menos estresse — e os piores para isso
-
5 alimentos fáceis de trocar na sua dieta para melhorar a saúde intestinal
-
Estudo alerta: comida rápida, prejuízo imediato
Como a molécula atua na célula
A descoberta envolve as mitocôndrias, estruturas responsáveis por gerar ATP, a energia que alimenta as funções celulares. A equipe de Vijay-Kumar notou que a enterobactina, por ser lipossolúvel, consegue penetrar nas células e entrar nas mitocôndrias.
Lá dentro, ela se liga ao ferro e inibe o processo de produção de energia, causando uma redução na respiração mitocondrial. Embora a diminuição de energia pareça prejudicial, pode ser benéfica em tecidos inflamados, onde a alta atividade energética agrava os danos.
Ao reduzir essa atividade, a enterobactina ajuda a diminuir a inflamação e proteger o tecido. Este conceito se alinha à mitohormese, ideia de que um estresse de baixa intensidade nas mitocôndrias pode fortalecer a resiliência celular. Um mecanismo semelhante é visto na metformina, um dos medicamentos mais usados para diabetes.
Testes em laboratório
A equipe também testou o ácido 2,3-diidroxibenzoico (2,3-DHBA), um derivado da enterobactina, em camundongos com colite, condição semelhante à doença inflamatória intestinal em humanos.
Os resultados mostraram que os animais tratados com 2,3-DHBA tiveram menos inflamação e um revestimento intestinal mais forte. O composto também promoveu uma melhor cicatrização do tecido danificado em comparação com o grupo não tratado.
Pesquisas anteriores do mesmo laboratório, incluindo um artigo intitulado "Enterobactina sequestra a função dos neutrófilos", já haviam demonstrado que a molécula inibe os neutrófilos, a primeira linha de defesa do sistema imunológico.
Vijay-Kumar afirmou que seu laboratório busca financiamento para continuar investigando como os efeitos da enterobactina podem ser explorados em terapias e se medicamentos já existentes para a doença inflamatória intestinal geram compostos parecidos.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
