CORPO HUMANO

Enterobactina: a molécula que "desliga" a inflamação intestinal

Molécula produzida por bactérias atua de forma inédita: diminui a energia celular para acalmar a inflamação e regenerar o tecido intestinal

Molécula de enterobactina, produzida por bactérias intestinais, atua no sistema digestório para reduzir inflamações -  (crédito: Flow)
Molécula de enterobactina, produzida por bactérias intestinais, atua no sistema digestório para reduzir inflamações - (crédito: Flow)

A enterobactina, uma molécula produzida por bactérias intestinais, pode ser a chave para reduzir a inflamação no intestino. Sua ação não ataca o sistema imunológico diretamente, mas diminui de forma temporária a produção de energia da própria célula.

A conclusão é de um estudo liderado por Matam Vijay-Kumar, professor da Universidade de Toledo, e publicado no periódico científico Gut Microbes. A pesquisa é resultado de mais de uma década de trabalho do laboratório sobre a enterobactina, secretada por bactérias como a E. coli para capturar ferro.

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Como a molécula atua na célula

A descoberta envolve as mitocôndrias, estruturas responsáveis por gerar ATP, a energia que alimenta as funções celulares. A equipe de Vijay-Kumar notou que a enterobactina, por ser lipossolúvel, consegue penetrar nas células e entrar nas mitocôndrias.

Lá dentro, ela se liga ao ferro e inibe o processo de produção de energia, causando uma redução na respiração mitocondrial. Embora a diminuição de energia pareça prejudicial, pode ser benéfica em tecidos inflamados, onde a alta atividade energética agrava os danos.

Ao reduzir essa atividade, a enterobactina ajuda a diminuir a inflamação e proteger o tecido. Este conceito se alinha à mitohormese, ideia de que um estresse de baixa intensidade nas mitocôndrias pode fortalecer a resiliência celular. Um mecanismo semelhante é visto na metformina, um dos medicamentos mais usados para diabetes.

Testes em laboratório

A equipe também testou o ácido 2,3-diidroxibenzoico (2,3-DHBA), um derivado da enterobactina, em camundongos com colite, condição semelhante à doença inflamatória intestinal em humanos.

Os resultados mostraram que os animais tratados com 2,3-DHBA tiveram menos inflamação e um revestimento intestinal mais forte. O composto também promoveu uma melhor cicatrização do tecido danificado em comparação com o grupo não tratado.

Pesquisas anteriores do mesmo laboratório, incluindo um artigo intitulado "Enterobactina sequestra a função dos neutrófilos", já haviam demonstrado que a molécula inibe os neutrófilos, a primeira linha de defesa do sistema imunológico.

Vijay-Kumar afirmou que seu laboratório busca financiamento para continuar investigando como os efeitos da enterobactina podem ser explorados em terapias e se medicamentos já existentes para a doença inflamatória intestinal geram compostos parecidos.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 11/06/2026 10:32 / atualizado em 11/06/2026 10:33
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