
Astrônomos da universidade de Harvard & Smithsonian descobriram uma ilha de gás na região central da Via Láctea que pode ser considerada como um verdadeiro berço de futuras estrelas. O local encontrado pelos cientistas, graças ao telescópio ALMA, o mais potente do mundo, apresenta condições propícias para se tornar no futuro um espaço de formação estelar.
A descoberta foi anunciada na 248º reunião da Associação Astronômica Americana em Pasadena, Califórnia, pelo autor principal do estudo: Rojita Buddhacharya, estudante do Centro de Astrofísica da Universidade de Harvard & Smithsonian e da Universidade Liverpool John Moores.
“Usando o ALMA, conseguimos medir os movimentos do gás denso no Centro Galáctico com uma resolução muito fina. Isso nos permite ver, com detalhes notáveis, como os movimentos do gás transitam de um estado altamente turbulento para um estado calmo em escalas muito pequenas”, disse Buddhacharya.
Os pesquisadores conseguiram identificar no “ninho de futuras estrelas” uma estrutura que se assemelha a um filamento de gás que realiza pequenos movimentos aleatórios. É possível ver que esse “fio de gás” se desfaz, ficando mais turbulento e movendo-se mais rapidamente.
A descoberta dos cientistas também mostrou que a gravidade na região do “ninho de futuras estrelas” é suficiente para manter o gás unido. Áreas com esse tipo de densidade gasosa normalmente são fortes candidatas a se tornarem um local de formação de estrelas.
De acordo com o co-autor do projeto, Qizhou Zhang, astrofísico sênior do Centro de Astrofísica de Harvard & Smithsonian, um dos objetivos do estudo é estudar o chamado gás precoce, responsável pelo nascimento das estrelas jovens.
“Estamos analisando as áreas de gás calmo que podem desencadear a formação de estrelas”, disse Zhang. “Como a Zona Molecular Central contém mais de dez milhões de pontos de dados espectrais, estamos desenvolvendo uma ferramenta de aprendizado de máquina para descobrir essas 'ilhas de calma' em todo o Centro Galáctico.”, completou o astrônomo.
Até o momento, a ciência só tinha conhecimento de regiões com gás calmo na Via Láctea em áreas próximas ao Sol. No entanto, é preciso lembrar que o Sil do sistema solar, assim como a maioria das estrelas, foi formado há cerca de 4,5 bilhões de anos, quando as condições do universo eram mais extremas.
*Estagiário sob supervisão de Aline Gouveia
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