
Dormir bem é essencial para a saúde, mas o excesso de sono também pode trazer consequências. Um novo estudo publicado pelo Journal of the American Medical Directors Association, mostrou que homens com mais de 60 anos que dormem mais de nove horas por noite podem apresentar perda mais rápida da mobilidade ao longo dos anos.
A investigação foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e em parceria com a University College London. Com dados de 1.582 homens e 1.626 mulheres com 60 anos ou mais, que não possuíam qualquer problema preexistente relacionado à velocidade de marcha, sendo acompanhados por oito anos.
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A pesquisa acompanhou mais de 3 mil idosos durante oito anos e analisou a relação entre os hábitos de sono e a velocidade da caminhada, um dos principais indicadores da saúde física na terceira idade. Os dados fazem parte do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA), que monitora aspectos como saúde, bem-estar e qualidade de vida desde 2002, sobre o envelhecimento.
Segundo os resultados, os homens que costumavam dormir mais de nove horas por noite apresentaram uma redução significativa na velocidade da marcha, chegando a perder até 25% da velocidade inicial ao longo do período analisado. Já entre as mulheres, não foi observada a mesma relação entre sono prolongado e perda de mobilidade.
Os pesquisadores explicam que, embora essas pessoas passem mais tempo dormindo, o sono costuma ser mais fragmentado e com menos fases profundas de descanso. Isso pode afetar a produção de testosterona, hormônio importante para a manutenção da massa muscular nos homens.
Além disso, o sono prolongado também está associado ao aumento de processos inflamatórios comuns no envelhecimento. Essa condição pode favorecer a perda de força e de massa muscular, fatores diretamente ligados à capacidade de locomoção.
Para os especialistas, o resultado reforça a importância de observar a duração do sono como um possível sinal de alerta para a saúde dos idosos. A recomendação é que pessoas acima de 60 anos durmam entre seis e nove horas por noite, e que, dormir mais do que isso de forma frequente pode indicar alguma vulnerabilidade clínica que merece atenção médica.
*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares
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