ESPAÇO

Galáxia descoberta pelo Hubble ajuda a explicar o começo do universo

Galáxia já existia apenas 1,4 bilhão de anos após o Big Bang e fornece uma das primeiras evidências de como estrelas jovens ajudaram a iluminar o universo primitivo

Descoberta de uma das galáxias mais antigas ajuda cientistas a entenderem a transformação dos cosmos transparente
 -  (crédito: Divulgação/NASA)
Descoberta de uma das galáxias mais antigas ajuda cientistas a entenderem a transformação dos cosmos transparente - (crédito: Divulgação/NASA)

Há mais de 12 bilhões de anos, a luz de uma galáxia distante viajou pelo espaço até ser captada pelo Telescópio Espacial Hubble. Essa observação ajudou os cientistas a entenderem melhor como o universo se tornou iluminado.

A galáxia, chamada MXDFz4.4, foi observada pelo Hubble em uma fase muito antiga do universo, quando ele tinha apenas 1,4 bilhão de anos. A descoberta mostrou que estrelas jovens e muito energéticas dentro desta galáxia conseguiram liberar luz ultravioleta suficiente para atravessar o gás ao redor e transformar o ambiente onde estavam.

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O resultado ajuda a explicar um período conhecido como “Era da Reionização", uma das fases mais importantes da formação do universo.

Logo após o Big Bang, o universo era diferente do que se está habituado. Durante milhões de anos, grandes quantidades de hidrogênio neutro preenchiam o espaço entre as galáxias, funcionando como uma neblina que bloqueava a passagem da luz.

Com o nascimento das primeiras estrelas e galáxias, essa situação começou a mudar. A radiação liberada por estrelas jovens passou a alterar o gás ao redor, tornando o universo gradualmente mais transparente.

O problema é que os cientistas ainda não sabem exatamente como esse processo aconteceu. Uma das principais dificuldades era encontrar exemplos de galáxias antigas o suficiente que mostrassem essa transformação acontecendo. A MXDFz4.4 é uma peça importante nessa busca porque permitiu observar a fuga dessa luz em uma época em que esse fenômeno ainda era pouco conhecido.

Apesar de ser muito menor que a Via Láctea, a MXDFz4.4 apresenta uma atividade de formação de estrelas diferentes. A região onde ela está é cerca de cem vezes menor que a nossa galáxia, mas produz estrelas em uma velocidade dez vezes maior.

Segundo os pesquisadores do Hubble, essa combinação foi fundamental para que a luz conseguisse escapar. As estrelas jovens e massivas, além de emitirem grande quantidade de radiação, também vivem pouco tempo. Muitas delas explodem como supernovas, criando espaços no gás e facilitando a passagem da luz.

A descoberta só foi possível graças à combinação de diferentes observatórios. O Hubble conseguiu identificar a luz ultravioleta da galáxia, enquanto o Telescópio Espacial James Webb ajudou a analisar características das estrelas e a história de formação daquele sistema. Os dados também foram complementados pelo Very Large Telescope, instalado no Chile, que ajudou a determinar a idade da galáxia.

Agora tudo indica que sistemas semelhantes podem ter tido um papel importante na transformação do cosmos. A expectativa dos cientistas é encontrar mais galáxias desse tipo nos próximos anos.

*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia

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postado em 24/06/2026 15:19
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