Um planeta localizado fora do sistema solar está chamando a atenção dos astrônomos por enfrentar condições consideradas extremas para os padrões do Universo. Batizado de HD 80606 b, o exoplaneta possui aproximadamente quatro vezes a massa de Júpiter e percorre uma órbita tão incomum que passa de um ambiente relativamente frio para um calor intenso em poucas horas.
O exoplaneta foi estudado pelo telescópio espacial James Webb, que registrou mudanças em sua atmosfera durante uma aproximação máxima à estrela ao redor da qual gira. Nesse momento, a temperatura pode atingir cerca de 593 °C, transformando o planeta em um laboratório natural para entender como as atmosferas reagem a condições extremas.
O que torna HD 80606 b tão especial é sua órbita alongada. Enquanto muitos planetas seguem trajetórias mais estáveis, ele passa grande parte do tempo distante de sua estrela e depois “mergulha” para regiões muito mais quentes. Esse movimento provoca um aumento inesperado da energia recebida pelo planeta e altera sua composição atmosférica em questão de horas.
Para acompanhar esse fenômeno, a NASA utilizou instrumentos capazes de analisar a luz emitida pelo planeta. A técnica permite identificar elementos químicos presentes na atmosfera e medir como a temperatura muda ao longo da órbita. Os dados indicam que o aquecimento observado foi mais forte do que modelos anteriores previam.
Segundo a astrônoma Laura Mayorga, da Universidade Johns Hopkins, observar um planeta com características tão diferentes oferece uma oportunidade rara para compreender o comportamento de outros mundos gasosos espalhados pela galáxia. Em apresentações realizadas durante a 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana nesta terça-feira (16/6), pesquisadores destacaram que um único ciclo de observação do HD 80606 b permite reunir informações que normalmente levariam anos para serem obtidas em outros sistemas planetários.
Os pesquisadores também encontraram indícios de mudanças químicas importantes na atmosfera do planeta. Estudos recentes apontam sinais de moléculas como metano e monóxido de carbono, elementos que ajudam a reconstruir a dinâmica desse ambiente instável.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe
