Patrícia Schorn, coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília - (crédito: Arquivo cedido)
Mudança no prognóstico
Patrícia Schorn, coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília
(foto: Arquivo cedido)
"Essa descoberta é realmente transformadora. Quando você consegue identificar que um paciente tem doença residual, que não aparecia nos testes convencionais, você consegue fazer uma estratificação muito mais precisa do risco real daquele paciente. O estudo mostrou números bem claros: pacientes que testaram negativo em ambos os testes tiveram uma sobrevida mediana de 41 meses. Mas aqueles cujo câncer estava 'escondido' para o sequenciamento de nova geração, mas foi pego pela ddPCR, tiveram uma sobrevida de apenas 27 meses. Isso é uma diferença enorme e muda completamente como a gente pensa no prognóstico. Na prática clínica, isso se traduz em três coisas bem concretas. Primeiro, você consegue intensificar o tratamento de quem realmente precisa. Se um paciente tem doença residual detectada pela ddPCR após a cirurgia, você sabe que ele está em risco muito alto e pode oferecer esquemas quimioterápicos mais agressivos ou até incluí-lo em ensaios clínicos com drogas novas. Segundo, aquele que testou negativo em tudo pode ser poupado de quimioterapia prolongada. Terceiro, a intervenção acontece muito mais cedo, antes que a doença se manifeste clinicamente."