CORPO HUMANO

Oxalato: a molécula que liga doença renal a problemas cardíacos

Pesquisa revela o mecanismo que conecta o excesso da substância a danos no coração; descoberta abre caminho para novas terapias anti-inflamatórias

O acúmulo de oxalato pode desencadear inflamações e danos nos rins e no sistema cardiovascular, como mostra a pesquisa -  (crédito: Martin Reichel / Charité – Universitätsmedizin Berlin)
O acúmulo de oxalato pode desencadear inflamações e danos nos rins e no sistema cardiovascular, como mostra a pesquisa - (crédito: Martin Reichel / Charité – Universitätsmedizin Berlin)

Pessoas com doença renal crônica (DRC) apresentam um risco significativamente maior de morte por doenças cardiovasculares. Elas também convivem com uma inflamação crônica, cujas causas ainda são parcialmente desconhecidas.

Uma pesquisa recente revelou a ligação entre esses problemas: o oxalato. Conhecida por seu papel na formação de cálculos renais, essa molécula é um subproduto do metabolismo que costuma ser eliminado pelos rins. Quando a função renal está comprometida, o oxalato se acumula no corpo e pode promover inflamação.

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Um estudo do Hospital Universitário de Würzburg (UKW), na Alemanha, e do Centro de Pesquisa Experimental e Clínica (ECRC) investigou os mecanismos que conectam o dano renal induzido pelo oxalato à inflamação sistêmica e à lesão cardiovascular.

Em um experimento com camundongos, uma dieta rica em oxalato ativou o sistema imunológico em todo o corpo. Segundo o Dr. Hendrik Bartolomaeus, um dos autores, isso causou não apenas danos renais, mas também alterações patológicas no coração que reduziram a função cardíaca.

A molécula que conecta os danos

A equipe identificou a citocina interleucina-17A (IL-17A) como um fator central nesse processo. Produzida por certas células imunológicas, a IL-17A pode amplificar a inflamação. Os pesquisadores descobriram que o oxalato promoveu a produção dessa citocina e interrompeu o metabolismo energético das células imunes.

Níveis elevados de IL-17A também foram detectados em pacientes com hiperoxalúria primária, uma doença metabólica rara em que o fígado produz oxalato em excesso.

A pesquisa, publicada na revista “Cardiovascular Research”, também testou o que acontece quando a IL-17A é bloqueada. No modelo animal, a melhora foi significativa: os rins funcionaram melhor, a inflamação e a fibrose diminuíram e os danos ao coração foram reduzidos. Isso estabeleceu o que os cientistas chamaram de um eixo potencialmente terapêutico: oxalato–IL-17A–lesão cardiorrenal.

Os resultados mostram que o oxalato não apenas danifica os rins localmente, mas representa uma sobrecarga para o sistema imunológico e o metabolismo, contribuindo para doenças cardiovasculares.

A descoberta pode ajudar a identificar pacientes renais com risco cardiovascular elevado e apoiar o desenvolvimento de novas terapias anti-inflamatórias. Estudos anteriores já haviam demonstrado que os níveis de oxalato são frequentemente altos em pessoas com função renal comprometida.

Os pesquisadores agora planejam investigar se esses mecanismos se repetem em grupos maiores de pacientes com DRC. O objetivo é determinar se o eixo inflamatório é específico para o oxalato ou se mecanismos semelhantes podem contribuir para danos cardiovasculares em outras causas de doença renal.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 11/07/2026 22:44 / atualizado em 11/07/2026 22:44
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