SAÚDE ÍNTIMA

Nora de Andressa Urach diz ter "duas vaginas"; ginecologista desvenda

Maya Braga contou nas redes que nasceu com uma malformação congênita rara. O ginecologista Igor Trotte esclarece o que é o útero didelfo, os sintomas e os impactos na gravidez e na vida sexual

Nora de Andressa Urach, Maya Braga.  -  (crédito: reprodução/mayaurach)
Nora de Andressa Urach, Maya Braga. - (crédito: reprodução/mayaurach)

Já ouviu falar em útero didelfo? A influenciadora e criadora de conteúdo adulto Maya Braga, de 20 anos, nora de Andressa Urach, chamou a atenção nas redes sociais nesta quarta-feira (15/7) ao revelar que nasceu com essa condição rara. Ao comentar sobre o assunto, a jovem afirmou que possui “duas vaginas”, o que despertou curiosidade entre os seguidores e gerou milhares de comentários.

“Descobri que eu tenho ‘duas vaginas’ e desde que eu falei sobre esse assunto aqui, vem repercutindo muito”, disse Maya em um vídeo publicado nas redes. Em seguida, explicou que a condição é resultado de uma anomalia congênita.

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“Existem, sim, mulheres com a mesma anatomia rara que eu, e isso se chama útero didelfo. Isso nada mais é que uma anomalia congênita rara, em que a mulher nasce com dois úteros completamente separados, cada um com seu próprio colo e, consequentemente, duas entradas vaginais”, afirmou.

Apesar da repercussão, Maya ressaltou que a condição não interfere em seu valor como mulher. “Claro que isso não me torna menos ou mais que as outras mulheres, apenas diferente, né?”, declarou.

Diante da curiosidade gerada pelo caso, o Correio conversou com o ginecologista e endocrinologista Dr. Igor Trotte, que esclareceu as principais dúvidas sobre a condição.

O que é o útero didelfo

O especialista explica que o útero didelfo é uma malformação congênita rara que ocorre ainda durante a formação do feto. Em vez de um único útero, desenvolvem-se dois úteros completamente separados, cada um com seu próprio colo uterino.

Igor também alerta sobre o termo “duas vaginas”, bastante utilizado nas redes sociais, e que pode levar a interpretações equivocadas. “É importante esclarecer que útero didelfo não é sinônimo de duas vaginas. Algumas mulheres apresentam um septo que divide a vagina em duas partes, mas isso não acontece em todos os casos. Ou seja, uma paciente pode ter útero didelfo e apenas uma vagina, ou pode ter a malformação associada a uma vagina dividida por um septo”, explica.

É possível passar anos sem descobrir a condição

De acordo com Igor Trotte, sim. Muitas mulheres convivem com o útero didelfo durante anos, e até por toda a vida, sem apresentar sintomas. O diagnóstico costuma ocorrer durante exames ginecológicos de rotina, investigações sobre infertilidade ou no acompanhamento da gravidez "costuma acontecer de forma incidental durante um ultrassom ginecológico" afirma. 

Quando há manifestações, elas podem incluir cólicas menstruais intensas, dificuldade para utilizar absorventes internos, desconforto durante a relação sexual, principalmente quando existe um septo vaginal, além de sangramento menstrual persistente em casos de obstrução.

Há riscos para gravidez e fertilidade?

O especialista destaca que, na maioria das pacientes, a vida sexual ocorre normalmente e a fertilidade costuma ser preservada. “A maioria das mulheres consegue engravidar naturalmente. O principal impacto está na gestação, que apresenta um risco um pouco maior de aborto espontâneo, parto prematuro, apresentação pélvica do bebê e necessidade de cesariana”, explica.

Por isso, gestantes com útero didelfo devem realizar um acompanhamento obstétrico mais próximo, com monitoramento do desenvolvimento fetal e do colo do útero. Fora da gravidez, o médico afirma que, na maior parte dos casos, não há necessidade de tratamento. Cirurgias são indicadas apenas quando existem sintomas importantes ou alterações anatômicas que causem obstruções.

Nem toda mulher com útero didelfo tem “duas vaginas”

Para o ginecologista, a repercussão nas redes sociais ajuda a divulgar informações sobre condições raras, mas também pode gerar simplificações. “Existe uma grande variação anatômica entre as pacientes. Cada caso precisa ser avaliado individualmente por meio de exames de imagem, como ultrassonografia, ressonância magnética ou histeroscopia, para definir exatamente a anatomia e verificar se existe necessidade de tratamento”, afirma.

Igor também chama atenção para outro cuidado importante: mulheres diagnosticadas com malformações uterinas devem realizar avaliação dos rins, já que alterações no sistema reprodutor podem estar associadas a malformações do trato urinário em parte dos casos.

Embora rara, a condição pode passar despercebida durante muitos anos e, quando identificada, o acompanhamento médico é fundamental para orientar cada paciente de acordo com suas características individuais.

Veja o vídeo: 

*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares

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postado em 16/07/2026 18:19
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