
Aos 39 anos, a atriz Isis Valverde enfrenta dificuldades para engravidar do marido, Marcus Buaiz. Segundo informações divulgadas pela artista, exames apontaram baixa reserva ovariana e alterações hormonais que ela relaciona à doença celíaca. O caso chama atenção para uma dúvida comum entre mulheres que recebem um diagnóstico semelhante: ter poucos óvulos significa não conseguir engravidar?
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A resposta é não. Baixa reserva ovariana não é sinônimo de infertilidade e, isoladamente, não permite afirmar que uma mulher não poderá engravidar. A avaliação da capacidade reprodutiva envolve outros fatores, principalmente a idade, a qualidade dos óvulos e a história reprodutiva.
A reserva ovariana corresponde, de maneira geral, à quantidade de óvulos disponíveis nos ovários em determinado momento. Para estimá-la, os especialistas utilizam principalmente dois exames: a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH), feita por meio de exame de sangue, e a contagem de folículos antrais, realizada por ultrassonografia.
Exames
Segundo a ginecologista e especialista em reprodução assistida Maria do Carmo Borges de Souza, diretora médica da Fertipraxis, os exames fornecem informações complementares. O AMH ajuda a estimar a quantidade de folículos disponíveis, enquanto a contagem de folículos antrais avalia, por meio do ultrassom realizado no início do ciclo menstrual, o número de pequenos folículos presentes nos ovários.
O resultado, porém, precisa ser analisado com cautela. Um valor baixo de AMH, por exemplo, não deve ser interpretado isoladamente como uma sentença sobre a possibilidade de gravidez. Isso porque alguns medicamentos e métodos contraceptivos podem interferir na avaliação. O uso de anticoncepcionais, DIU hormonal ou implantes pode reduzir temporariamente os níveis de AMH e, em determinadas situações, produzir uma estimativa abaixo da reserva ovariana real.
Por isso, a médica ressalta que o exame deve ser analisado em conjunto com o histórico da paciente e outros dados da avaliação ginecológica e reprodutiva. “A avaliação da reserva ovariana pode ser muito útil no planejamento reprodutivo. Ela contribui para estimar a resposta aos medicamentos utilizados para estimulação ovariana e para individualizar estratégias em situações como preservação da fertilidade ou fertilização in vitro”, explica Borges de Souza, que também integra o Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e a Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (Redlara).
Idade
Uma das principais razões para não confundir baixa reserva ovariana com infertilidade é que os exames de reserva ovariana estão mais relacionados à quantidade de óvulos do que à capacidade de uma mulher engravidar naturalmente. A idade, nesse contexto, tem um papel fundamental. Com o passar dos anos, além da redução progressiva da quantidade de óvulos, ocorre uma mudança na qualidade dos gametas. Isso pode aumentar a dificuldade para a fecundação e o risco de alterações cromossômicas no embrião.
Uma mulher pode apresentar uma reserva ovariana reduzida e ainda ter possibilidade de engravidar. Da mesma forma, uma reserva considerada adequada não garante, por si só, uma gestação. “Uma reserva ovariana menor não significa que não existam óvulos ou que uma gravidez seja impossível. O resultado precisa ser interpretado dentro do contexto da idade e da história reprodutiva de cada mulher”, afirma a especialista.
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