
O cérebro dos cães segmenta a fala em palavras de uma maneira antes vista apenas em humanos, segundo um estudo da Universidade Elte, em Budapeste, na Hungria. Os autores, que publicaram o resultado na revista Science, afirmam que isso sugere que o processamento eficiente da atividade linguística não é, necessariamente, uma consequência de habilidades únicas do Homo sapiens. A exposição regular às palavras conectadas em frases, por si só, poderiam remodelar o funcionamento do cérebro, argumentam.
- Leia mais: Cientistas descobrem 'ameba de fogo' que sobrevive a 64 °C
- Emissões pós-Acordo de Paris são responsáveis por calor recorde
- Nasa encontra rochas que guardam sinais de água em Marte
“As palavras são compostas por dois tipos principais de sons da fala: vogais e consoantes. Embora as vogais sejam mais altas e perceptíveis, as consoantes geralmente formam a estrutura básica das palavras”, explica Attila Andics, neurocientista cognitivo e autor correspondente do estudo. “Em um fluxo contínuo de fala, é mais fácil detectar palavras individuais quando nos concentramos nas consoantes. Desde a infância, é exatamente isso que o cérebro humano tende a fazer. Esse fenômeno é conhecido como viés consonantal.”
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Atividade cerebral
No experimento, 20 participantes humanos e 20 cães de companhia ouviram fluxos contínuos de fala não segmentada. Consoantes e vogais se alternavam, sem pausas ou outras pistas acústicas que os separassem. Para medir a atividade cerebral, os pesquisadores utilizaram EEG não invasivo, registrando a atividade elétrica do cérebro por meio de eletrodos colocados no couro cabeludo.
Os resultados revelaram semelhanças impressionantes da atividade cerebral entre as duas espécies, afirmam os pesquisadores. “Nos fluxos de fala estruturados em consoantes, o cérebro dos cães e o dos humanos sincronizou, com sucesso, o ritmo das palavras. Em ambas as espécies, essa sincronização foi mais forte do que nos fluxos estruturados em vogais ou nos fluxos de controle. Essa é a primeira evidência de que uma preferência por consoantes também pode surgir no cérebro de uma espécie diferente da humana”, afirma Kinga G. Tóth, psicóloga, coautora principal do estudo e pesquisadora de doutorado do grupo.
Política
Diversão e Arte
Revista do Correio