Por Paulo Renato Mac-Culloch* — O câncer colorretal é o segundo com maior incidência no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 53.810 mil casos sejam registrados a cada ano, entre 2026 e 2028. O mês de setembro traz diferentes campanhas de conscientização, uma delas é a de prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal.
O Inca estima que os casos serão divididos proporcionalmente, com 26.270 entre os homens e 27.540 entre as mulheres. Ou seja, câncer de intestino não é uma doença majoritariamente masculina ou feminina.
Principais riscos
De acordo com o Inca, os principais fatores de risco são os comportamentais, como tabagismo, sedentarismo, excesso de gordura corporal, consumo de bebidas alcoólicas, consumo elevado de carne vermelha e carnes processadas. Vale lembrar também o alerta para o baixo consumo de alimentos ricos em fibras, como cereais integrais, leguminosas, frutas e vegetais.
Condições genéticas e hereditárias, como doenças intestinais crônicas, histórico pessoal ou familiar de pólipos adenomatosos ou câncer colorretal, também são fatores de alerta. O oncologista Márcio Almeida, da Rede Américas e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clinica (SBOC), reforça que o risco de desenvolvimento da doença está nos hábitos que levamos e o cuidado pode ser trocá-los, ou torná-los mais saudáveis.
“O risco não está no alimento consumido de maneira isolada, mas no padrão que se repete ao longo dos anos. Quando temos uma alimentação com presença frequente de carnes processadas e pouca fibra, somada ao sedentarismo, excesso de peso, álcool e tabagismo, acumulamos fatores associados à doença. A prevenção passa por modificar aquilo que está ao nosso alcance”, comenta o médico.
Colonoscopia
A colonoscopia é um exame fundamental para o combate e a prevenção do câncer de intestino. Ele permite visualizar e remover os pólipos antes que possam evoluir para um câncer.
Os pólipos são pequenas formações que surgem na parede interna do intestino grosso. Nem todos se tornam malignos, mas alguns podem acumular alterações celulares ao longo dos anos e dar origem a um tumor. Como essa transformação é demorada gera uma janela de oportunidades para identificá-los e removê-los por meio da colonoscopia.
“A colonoscopia é fundamental porque nos permite ir além do diagnóstico precoce. Isso muda completamente a lógica: não estamos apenas tentando encontrar uma doença em estágio inicial, estamos diante da possibilidade de interromper o caminho que poderia levar ao desenvolvimento do tumor”, destaca o médico.
Crescimento de ocorrências em pessoas mais novas
Apesar de ser uma doença mais incidente nas pessoas mais velhas, estudos internacionais vêm registrando o crescimento de casos em pessoas com menos de 50 anos.
“O aumento de casos entre adultos mais jovens está mudando a forma como precisamos olhar para o câncer colorretal. Não significa criar alarme ou antecipar exames para todo mundo, mas abandonar a ideia de que esse é um câncer exclusivamente de pessoas mais velhas. Informação, prevenção e investigação adequada precisam acompanhar essa mudança no perfil da doença”, conclui o oncologista.
Alguns sintomas
Alguns sintomas de alerta para o câncer colorretal: sangue nas fezes, mudança persistente no hábito intestinal, alternância entre diarreia e constipação, dor ou desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta, anemia sem causa aparente e perda de peso não intencional.
*Estagiário sob supervisão Ronayre Nunes
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