TECNOLOGIA

Plataforma permite investigar origem de transtornos mentais

A tecnologia é estratégica para o estudar a pontes intergeracionais, afirmam os pesquisadores

Dispositivo reúne um capacete de eletroencefalografia (EEG) e óculos que conseguem registrar movimentos e direcionamento do olhar. No dia a dia, os participantes do projeto ainda usarão uma pulseira que monitora sinais fisiológicos. -  (crédito: Divulgação / CISM)
Dispositivo reúne um capacete de eletroencefalografia (EEG) e óculos que conseguem registrar movimentos e direcionamento do olhar. No dia a dia, os participantes do projeto ainda usarão uma pulseira que monitora sinais fisiológicos. - (crédito: Divulgação / CISM)

O Hospital das Clínicas de São Paulo e o Centro de Pesquisas Clínicas de Porto Alegre receberam uma tecnologia que permite investigar o funcionamento do corpo e do cérebro de crianças, jovens e adultos, durante tarefas do cotidiano. O Multimodal Brain/Body Imaging Laboratory (MoBILab) vem com o objetivo de investigar as origens genéticas e ambientais de transtornos mentais.

O equipamento tem uma estrutura que monitora a atividade elétrica do cérebro, óculos que conseguem registrar movimentos e direcionamentos do olhar, e uma pulseira que acompanha os sinais fisiológicos. Todo esse equipamento realiza a integração e sincronização de dados para investigar o funcionamento do corpo durante a realização de tarefas cotidianas.

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São monitorados padrões respiratórios, movimentos corporais, fala, expressões faciais e aspectos motores e cognitivos. A integração dessas medidas abre possibilidades para compreender o desenvolvimento cerebral e os fatores associados à saúde mental ao longo da vida.

Segundo André Simioni, pesquisador do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), a implementação da tecnologia cria uma ponte intergeracional estratégica. Elas permitem aos pesquisadores da Coorte Brasileira de Alto Risco, que já vêm realizando pesquisas sobre neurodesenvolvimento e saúde mental, acompanhar três gerações de pacientes: os participantes do estudo, os pais e, agora, os filhos.

"A atual base de dados já consolida mais de uma década de históricos de avaliações clínicas detalhadas dos participantes do projeto. Agora, essa tecnologia multimodal será aplicada aos filhos deles", relatou André ao texto divulgado pela Agência Fapesp. 

"Essa integração nos permite cruzar as trajetórias de vida e os diagnósticos dos pais com as assinaturas biológicas dos seus descendentes. Deixamos de depender apenas de auto relatos e relatos parentais para observar diretamente como o risco e a resiliência se manifestam fisiologicamente", acrescenta. "Esperamos transformar esses dados complexos em conhecimentos que possam antecipar diagnósticos e personalizar intervenções precoces para as próximas gerações", completou o pesquisador.

* Estagiário sob supervisão de Roberto Fonseca

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postado em 21/10/2026 16:22 / atualizado em 21/10/2026 16:23
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