SAÚDE E INOVAÇÃO

Anvisa aprova semaglutida em comprimido para obesidade no Brasil

Formulação oral da Novo Nordisk oferece alternativa às injeções semanais e chega às farmácias no próximo trimestre

Estudos clínicos apontaram perda média de 13,6% do peso em pacientes que utilizaram a versão oral do remédio por 64 semanas -  (crédito: Divulgação/Novo Nordisk)
Estudos clínicos apontaram perda média de 13,6% do peso em pacientes que utilizaram a versão oral do remédio por 64 semanas - (crédito: Divulgação/Novo Nordisk)

O tratamento da obesidade com semaglutida ganhou uma nova alternativa no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização do Wegovy em comprimidos, produzido pela farmacêutica Novo Nordisk. Esta é a primeira formulação oral da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 aprovada no país para pessoas com obesidade ou sobrepeso.

A novidade oferece uma opção aos pacientes que, até então, dependiam de aplicações semanais por meio de canetas injetáveis para utilizar o Wegovy. Na nova apresentação, a semaglutida será administrada em comprimidos de 25 mg, ingeridos diariamente.

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A autorização foi formalizada em uma resolução publicada, nesta quarta-feira (4/11) no Diário Oficial da União (DOU), após a análise do pedido encaminhado pela fabricante em 30 de janeiro deste ano. Apesar da liberação, o medicamento ainda não tem preço definido. Segundo a Novo Nordisk, a previsão é que a versão oral chegue às farmácias brasileiras no próximo trimestre.

A semaglutida já estava disponível em comprimidos no mercado nacional por meio do Rybelsus, também desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa. A diferença está na indicação terapêutica: enquanto o Rybelsus é utilizado no controle do diabetes tipo 2, a nova apresentação do Wegovy foi autorizada para o tratamento do excesso de peso.

Eficácia e funcionamento do medicamento

A aprovação da formulação oral foi sustentada por resultados de estudos clínicos que apontaram uma redução significativa do peso corporal. Na principal pesquisa, publicada na revista científica The New England Journal of Medicine, os participantes tratados com o comprimido apresentaram uma perda média de 13,6% do peso após 64 semanas. Entre aqueles que receberam placebo, a redução foi de 2,2%.

Os resultados se aproximam dos observados com a versão injetável, segundo os pesquisadores. Com base nesses dados, a Novo Nordisk passou a apresentar o novo medicamento como o primeiro comprimido capaz de proporcionar uma eficácia semelhante à de uma injeção no tratamento da obesidade.

Embora a forma de administração seja diferente, as duas apresentações utilizam o mesmo princípio ativo. A semaglutida reproduz a ação do GLP-1, hormônio liberado pelo intestino após a alimentação e responsável por participar da regulação do apetite.

Ao atuar sobre os mecanismos que controlam a fome, a substância aumenta a sensação de saciedade e retarda o esvaziamento do estômago. Dessa forma, o paciente tende a sentir menos necessidade de comer e permanece satisfeito por mais tempo depois das refeições.

Uma das principais diferenças entre as formulações está na quantidade de medicamento administrada. Enquanto a dose semanal de manutenção da versão injetável é de 2,4 mg, o comprimido contém 25 mg para uso diário.

Essa diferença ocorre porque a absorção da semaglutida pelo sistema digestivo é limitada. Quando ingerida, parte da substância é degradada no estômago antes de alcançar a circulação sanguínea, o que exige uma dose oral maior para produzir o efeito terapêutico esperado.

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postado em 04/11/2026 13:18
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