Visão do Direito

A floresta que cresce em silêncio

Nesse contexto, cabe frisar que a magistratura brasileira talvez seja uma das carreiras mais fiscalizadas da República. Isso se comprova com os fatos

 Eixo Capital. Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli, juíza de Direito,  presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) e Subcoordenadora da Justiça Estadual da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) -  (crédito:   Divulgação )
Eixo Capital. Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli, juíza de Direito, presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) e Subcoordenadora da Justiça Estadual da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) - (crédito: Divulgação )

Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli - juíza de Direito,  presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM) e Subcoordenadora da Justiça Estadual da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)

Quando esteve no Brasil, em 2013, o papa Francisco foi questionado sobre as dificuldades enfrentadas pela Igreja. Em resposta, deixou uma reflexão que permanece atual: "Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce." Poucas imagens traduzem tão bem a realidade da magistratura brasileira.

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Vivemos um tempo em que fatos isolados, pela própria natureza da notícia, recebem grande repercussão. É natural que assim seja. Entretanto, nenhuma instituição pode ser compreendida apenas pelas suas exceções. A parte jamais poderá representar o todo. Enquanto uma árvore que cai desperta atenção imediata, uma floresta inteira continua crescendo silenciosamente, produzindo frutos, preservando vidas e cumprindo sua função. A magistratura brasileira é essa floresta!

Em Mato Grosso, apenas no último ano, dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que o Poder Judiciário recebeu mais de 645 mil novos processos e julgou mais de 709 mil. Cada magistrado foi responsável, em média, por mais de dois mil processos em 2025. São números que revelam o compromisso da magistratura com a sociedade. Esse esforço cotidiano raramente ocupa as manchetes. Mas é ele que sustenta a confiança da sociedade no Poder Judiciário.

Enquanto os holofotes se voltam para uma árvore que vai, a floresta que cresce continua sendo sustentáculo do ecossistema social, pulsando essencialidade, garantindo direitos, ouvindo de forma ativa e relevando frutos colhidos pelo coletivo.

Nesse contexto, cabe frisar que a magistratura brasileira talvez seja uma das carreiras mais fiscalizadas da República. Isso se comprova com os fatos. Sempre que há indícios de irregularidades, o ordenamento jurídico oferece instrumentos próprios para apuração rigorosa dos fatos.

Nos estados, essa atribuição cabe às Corregedorias-Gerais da Justiça; nacionalmente, à Corregedoria Nacional de Justiça. São instituições técnicas, independentes e vocacionadas à preservação da integridade do sistema, assegurando tanto a responsabilização, quando necessária, quanto o respeito ao devido processo legal e às garantias fundamentais.

É justamente essa estrutura de controle que fortalece a credibilidade do Poder Judiciário. A Justiça não se constrói pela condenação antecipada nem pelo julgamento da opinião pública. Constrói-se pela observância da legalidade, pela apuração responsável dos fatos e pela confiança nas instituições.

Como presidente da Associação Mato-Grossense de Magistrados (AMAM) e Subcoordenadora da Justiça Estadual da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), compreendo que nosso dever é defender a magistratura sem jamais renunciar aos princípios que sustentam o Estado Democrático de Direito. Defender a magistratura não significa negar problemas. Significa impedir que episódios isolados obscureçam o trabalho sério, silencioso e comprometido realizado diariamente pelos magistrados brasileiros.

A floresta continua crescendo. Ela cresce cada vez que uma sentença protege uma criança, assegura um tratamento de saúde, garante um direito previdenciário, resolve um conflito familiar, enfrenta a criminalidade ou oferece segurança jurídica para quem empreende e gera empregos. É essa floresta que merece ser vista. Porque, onde a magistratura é respeitada, a democracia também floresce.

 

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Por Opinião
postado em 23/07/2026 05:00
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