Humanidade

Astrólogo Oscar Quiroga analisa a humanidade para além das tragédias de 2020

Profissional classifica de heróis e heroínas aqueles que dão conta de tudo a despeito de estarem à beira de um ataque de nervos

Oscar Quiroga
postado em 31/12/2020 14:00
 (crédito: Thiago Fagundes/CB/D.A Press)
(crédito: Thiago Fagundes/CB/D.A Press)

Heróis e heróinas

É evidente o desdém que temos pela nossa própria humanidade, já que não raramente argumentamos sobre como a Terra seria muito melhor sem nosso reino. A mim sempre chama a atenção esse pensamento, e num modo negativo, porque não me cabe no coração esse desprezo pelos meus semelhantes e diferentes.

Ao contrário, sob as condições limitantes e trágicas que nos envolveram em 2020, desenvolvi admiração pelo ser humano, observei que nosso reino é composto de heróis e heroínas do dia a dia, que dão conta de tudo a despeito de interiormente estarem, na maior parte do tempo, à beira de um ataque de nervos. Mas, os ataques de nervos são atividades de luxo nessas horas em que a necessidade é mais importante do que o prazer de surtar.

Filhos cuidados, comida na mesa, prazeres mínimos, sonhos máximos temporariamente abalados, tentar manter a sanidade no meio de um mundo a cada dia mais insano, desinformação gritante, ideias perigosas de solução final sendo bem recebidas, tudo isso embrulhado em pacotes digitais multiplicados viralmente.

Heróis e heroínas porque, apesar de passarmos uma boa parte do tempo entretidos com nosso idílio com a dor, com essa intimidade que advém da certeza de que nascer neste planeta é para tudo ser dor mesmo, encaixando tudo dentro dessa perspectiva; mesmo assim, não é que, apesar dessa estranha operação, nós também nos rebelamos contra esse destino ingrato, e mesmo que isso dure pouco, já que à dor voltamos por inércia; fazemos isso com um ardor inconfundível que nos faz sentir vivos.

Heróis e heroínas, porque arde em nós a chama da liberdade e, por isso, quanto mais nos oprimem, ou quanto mais nós mesmos inventamos opressões, mais e mais usamos nossa astúcia criativa para nos libertar delas.

Ninguém pode tirar isso de um ser humano, porém, ninguém, tampouco, pode oferecer essa virtude a nenhum ser humano, cada um de nós, ou se apossa desse instrumento, ou finge que não é capaz e segue em frente.

Está aí toda a diferença entre um destino no qual você seja protagonista, de outro em que você é arrastado pela corrente da vida.

Em cada um de nós está a chama que nos torna heróis e heroínas da história em que estamos inseridos, aquilo que nos torna protagonistas, verdadeiras influências e exemplos para todas as pessoas com que nos relacionamos.

Assim vamos nos tornando o mundo que nós queremos, e não o que nos é imposto.

Agora e sempre.

 

 

Oscar Quiroga é psicólogo por formação, astrólogo autodidata, e que se dedica o tempo inteiro a enxergar o infinito nos mínimos detalhes do comportamento humano. Assim ele é descrito pelo O Estado de S. Paulo, jornal em que, há mais de 34 anos, assina coluna de horóscopo. Humanista argentino, é reconhecido por seu estilo de linguagem muito particular sobre astrologia e requisitado para a leitura de mapas astrais. É ainda consultor e membro da Academia de Letras do Distrito Federal, onde ocupa a Cadeira de Letras Astrológicas.

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