Cinema

Vingança e salvação dão o tom do novo filme de Alexander Skarsgard

Mais recente longa de Robert Eggers, "O homem do Norte" traz no elenco Alexander Skarsgard, Nicole Kidman e Ethan Hawke para interpretar uma história cheia de ação e mitologias

Ricardo Daehn
postado em 12/05/2022 00:01 / atualizado em 12/05/2022 12:04
Alexander Skarsgard vive um príncipe em longa marcado por cenas brutais -  (crédito: Universal Pictures/Divulgação)
Alexander Skarsgard vive um príncipe em longa marcado por cenas brutais - (crédito: Universal Pictures/Divulgação)

Quem vibrou com Coração valente tem muito para se fascinar com o mais recente longa de Robert Eggers, O homem do Norte, uma das estreias da semana. O filme é todo apoiado nos destinos tecidos nos fios da vida, numa corrente mitológica, datada de 895 d.C. "Uma fera camuflada em carne humana", como descrito no roteiro à la Lars von Trier, o príncipe Amleth (Alexander Skarsgard) empreende a jornada do herói, como um "urso-lobo" enfiado num perturbador conto de fadas repleto de intrigas palacianas nórdicas.

Brutalidade é a bússola na trama de vingança, salvação e morte imposta ao filho do aguerrido Rei Corvo (Ethan Hawke), casado com a rainha interpretada por Nicole Kidman e fluente num texto com a sonoridade das tragédias shakespearianas. "Filhote" sucessor do pai, que tem o trono entregue para o aparentado Fjölnir (Claes Bang, conhecido por The square, de 2017), Amleth tem por herança memórias da vivência em ritos bestiais e sessões de lavagem cerebral, nas quais repreende todas as emoções. De quase rei a escravo, Amleth não despreza o pedigree, e, tão honrado quanto astuto, recorre ao apoio da cândida Olga das Florestas (Anya Taylor-Joy).

Adotando um toque abstrato presente no cinema grego recente, o diretor Eggers realiza um filme com a magnitude dramática das tragédias assinadas pelo italiano Pier Paolo Pasolini, e liberta, com contornos dionísicos e formalidade escorada na mitologia. Uma carga de feitiçaria troll, a presença de um bobo da corte (feito por Willem Dafoe) e a lida com ancestralidade animalesca  revestem positivamente o roteiro a cargo de Eggers e de Sjon (que, há 22 anos criou parte do roteiro do clássico Dançando no escuro). Além do sueco Gustav Lindh (na pele do ambicioso Thórir), o filme conta com rara participação de Björk, como atriz, interpretando uma vidente nórdica — décadas depois de ter renegado a presença na telona.

Com uma trilha sonora algo intimidadora dos estreantes Sebastian Gainsborough e Robin Carolan, o longa tem um colorido intenso (e magistral), muita ação e um enredo envolvente, com traições e um clima que remete ao Fúria de Titãs original. Num papel que o aproxima do Rei da Selva (que inclusive viveu na telona), Skarsgard brilha no filme que tem a Islândia por cenário e, de quebra, traz a inesquecível sequência que registra um jogo bestial, como se fosse um rústico clone de basebol e de rúgbi. Um filme imagético e potente.

 

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