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'A roda do tempo' chega à terceira temporada mais sombria e direto ao ponto,

Ao Correio, criador e atores do elenco comentam sobre o novo ano da série de fantasia da Amazon Prime Video

Uma das sagas de fantasia de maior sucesso da literatura, A roda do tempo tem se tornado cada vez mais popular na Amazon Prime Video. Chegando à terceira temporada, a promessa é de uma narrativa mais sombria, mais grandiosa e em que os personagens terão que lidar com as consequências da evolução dessa história. O seriado estreou na última quinta-feira e terá episódios semanais na plataforma.

A nova temporada terá inimigos do passado e uma construção para que tudo fique mais tenso. A jornada do Dragão Renascido também ganha novos capítulos. "Para mim, foi tudo sobre sentimentos neste novo ano", conta Josha Stradowski, responsável por viver Rand al'Thor, o Dragão Renascido, em entrevista à Revista. Ele destrincha que a série, assim como a história dos livros que a baseiam, mostra que não importa o quanto fique difícil, sempre há esperança. "Mesmo que fique muito obscuro, vão ter sempre momentos pelos quais vale a pena lutar", reflete.

Um dos pontos dessa temporada é que a história está ficando mais sombria. "O sentimento é de que os personagens são os mesmos, mas a série parece ter subido um degrau no que diz respeito ao tom. Parece que está mais madura, sombria, e as consequências parecem estar chegando", diz Dónal Finn, que interpreta Mat Cauthon. "Os personagens querem paz, querem voltar para casa ou até para a vida que tinham antes, mas essas coisas parecem ser mais difíceis, eles têm mais a perder, são muitos riscos. Isso faz o seriado parecer que evoluiu", complementa.

Para o elenco, houve uma evolução clara na história. "Não são mais aqueles meninos saindo de uma cidade pequena para uma aventura", pontua Marcus Rutherford. Ele enxerga que algumas nuances foram adicionadas. "Todos estão mais velhos, mais sábios e com mais responsabilidades. É legal olhar para trás e ver essa evolução", complementa o ator, que vive Perrin Aybara nas telinhas.

Porém, esse crescimento vai além do que está sendo contado. Está também na produção, uma vez que A roda do tempo é um dos carros-chefe da Prime Video atualmente. "Tem sido incrível, a série cresceu de nível impressionantemente. Os dublês, as locações, as escolhas visuais e o perigo dentro da narrativa, com novos personagens e histórias diferentes", analisa Rutherford. "Parece tudo maior, e as consequências ainda mais importantes para a história", acrescenta Stradowski.

Das páginas para as telas

Prime Video/Divulgação - O Dragão Renascido é central na trama

Um dos principais fatores que faz de A roda do tempo uma série tão importante para a plataforma e para os fãs é a alta popularidade da série de livros, escritos por Robert Jordan. Ao todo são 14 volumes, apenas se levada em consideração a história principal, os chamados eventos canônicos.

Dessa forma, a série precisa agradar ao público que já conhece esses personagens e esse desenrolar de eventos, mas fazer um bom trabalho para reter os espectadores que conheceram a história por meio da série. "Nós, realmente, temos duas audiências distintas para essa história. Grande parte de quem a assiste não está familiarizada com os livros, alguns estão até começando a ler. E temos uma base de fãs muito dedicada que vem dessas obras de sucesso na literatura", avalia Rafe Judkins, criador e showrunner da produção.

Pensando nesses dois públicos, Judkins diz que o trabalho é tão complexo quanto o universo detalhado que estão trabalhando. "O jeito de servir melhor os dois grupos é contar a história da melhor maneira possível para a televisão, mesmo que isso signifique decisões difíceis e cortes bruscos", explica.

Ele entende que essas escolhas complicadas dão alma para a série e aproximam o espectador da história, mesmo que algumas pessoas não fiquem tão satisfeitas. "Se você tentar fazer algo que todo mundo gosta, você acaba chegando a um resultado que ninguém ama", crê o showrunner, que já sabe o lado que joga. "Eu prefiro fazer algo que muita gente ame do que algo que todo mundo goste", completa.

Porém, o resultado dessas decisões difíceis tem sido frutífero. "Eu estava em um táxi um dia desses e o motorista me pediu licença e falou que precisava continuar a ouvir o áudio-livro que estava escutando. Quando ele apertou o play, era uma das cenas mais importantes de A roda do tempo. Aí ele me disse: 'Adorei a série e agora tô lendo e ouvindo os livros'", lembra Judkins.

O fato de a série estar levando o livro para novas pessoas é um orgulho para o cineasta. "Esses momentos são especiais, porque eu vejo que mais e mais gente está cruzando os caminhos com essa história que cresci lendo e que sou apaixonado desde a infância graças ao nosso trabalho", destaca.

Esse bom resultado também resvala como uma responsabilidade para os atores, uma vez que esses personagens já existiam muito antes da obra televisiva. "Eu me sinto muito apoiado pelos fãs, tanto da série quanto dos livros. Eu percebo que chega a ser difícil interpretar o meu personagem, porque muitas pessoas o amam genuinamente. Então preciso estar pronto para dar o meu melhor", pondera Dónal Finn. "É preciso fazer muito para que seja justo com os fãs que amam esse personagem", conclui.

Entrar com o bonde andando

Prime Video/Divulgação - Marcus Rutherford (ao centro) sentiu a evolução dos personagens

A terceira temporada do seriado tem uma característica interessante. Apesar de dar continuidade aos eventos da narrativa, ela é um bom ponto de entrada para novos espectadores. "Nessa temporada, os espectadores são jogados diretamente na história. Tentamos evitar ficar relembrando o quanto esse universo é grande e complicado. É como se falássemos: 'Nós acreditamos nessa história, vem com a gente'", exalta o criador. "Se você gostar, volta e assiste às anteriores", indica.

Judkins conta que a própria plataforma fez testes para ver a possibilidade de angariar novas pessoas a esse universo. "A Amazon Prime Video está mostrando os novos episódios para pessoas que nunca viram a série ou leram os livros e muita gente está conseguindo entrar na história por meio da terceira temporada", relata.

O showrunner entende que é um mundo mágico, fantasioso e detalhado, mas o cerne da história é simples de acompanhar. "Dá para saber o que move esses personagens, as regras do mundo, e de forma mais lenta entender o que cada um quer nesse novo ano", percebe. "Desenhamos a temporada sem subestimar a audiência. Acreditamos que nossos espectadores são espertos e vão saber o que está rolando", crava o autor.

 


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