Crítica

O frenético americano que pede arrego: assim Chalamet competirá no Oscar

Empolgante jornada de um jovem obstinado pelo sucesso como esportista do tênis de mesa, Marty Supreme endossa o talento magnético de Timothée Chalamet

Marty Supreme é definido pelo talento de Timothée Chalamet -  (crédito: Fotos: Diamond Films/Divulgação)
Marty Supreme é definido pelo talento de Timothée Chalamet - (crédito: Fotos: Diamond Films/Divulgação)

Crítica // Marty Supreme ★★★★

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O ano é o de 1952 e as músicas elencadas pelo filme de Josh Safdie (com roteiro coescrito por Ronald Bronstein) contrastam com o período, tendo reforços para Tears for Fears, Alphaville e The Korgis. De certo modo, ao tratarem de temas como inconsequência, governança do mundo, aprendizado e mudanças, as músicas ditam o ritmo do filme. Com a intensidade de uma locomotiva, Marty (baseado, em parte, em Marty Reisman, expoente do ping-pong) desconfia, e, carismático, convence gradualmente os espectadores de que merece todo o reconhecimento do mundo.

Com visão empresarial e compulsão por se autopromover, Marty reinventa o caos, ao mesmo tempo em que o ameniza, num jogo de morde e assopra que faz lembrar as missões amalucadas de Jack Nicholson no cinema setentista. Sem modelos a seguir, ele imprime um padrão genuíno de jogador de tênis de mesa, depois de participar de competição em Londres (no Wembley) e de desviar das arapucas familiares que poderiam impedi-lo de maiores feitos.

Tiroteios, facadas, encrencas irreparáveis na companhia de um cachorro e uma das sequências mais hilárias do cinema recente cabem na narrativa que, sem esforço, entalha a imagem de Timothée Chalamet — dos mais fortes concorrentes ao Oscar — ao posto de astro. Marty, no filme, enfrenta oponentes no esporte como o japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi) e se enreda em aventuras motivadas pela vizinha Rachel (Odessa A´zion) e o amigo bonachão e inseguro Dion (Luke Manley).

Entre os atores coadjuvantes desta atordoante comédia despontam duas pérolas: Gwyneth Paltrow e o ator e diretor cult Abel Ferrara (de Olhos de serpente e Vício frenético). Esposa do endinheirado Milton (Kevin O'Leary, num papel perverso), a decadente estrela Kay Stone ganha brilho extra com a interpretação de Gwyneth, que mimetiza uma juvenil Srta. Robinson (o clássico papel assumido por Anne Bancroft em A primeira noite de um homem).

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Já o papel de Ferrara é inexplicável (só vendo, mesmo!) e impagável. Passada a graça e o torpor da convivência com tipos baratinados, vem o desfecho estonteante — quando Marty é confrontado com uma tocante página em branco que redirecionará sua trajetória, na cena final. Passaporte para a aclamação de Chalamet.

 

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postado em 23/01/2026 11:56
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