Celebridades colocam a Antártica nos holofotes e reacendem alerta sobre crise climática

Atores, músicos e artistas se unem a pesquisadores em defesa do continente, enquanto impasse internacional ameaça a proteção do ecossistema polar

Celebridades colocam a Antártica nos holofotes e reacendem alerta sobre crise climática -  (crédito: Reprodução/Instagram)
Celebridades colocam a Antártica nos holofotes e reacendem alerta sobre crise climática - (crédito: Reprodução/Instagram)

A Antártica voltou ao centro do debate ambiental global nos últimos anos, impulsionada por alertas científicos e pela presença e mobilização de celebridades internacionais. Nomes como Will Smith, Leonardo DiCaprio, Michael Douglas, Catherine Zeta-Jones, Benedict Cumberbatch e James Blunt passaram a apoiar iniciativas científicas e diplomáticas que buscam frear a degradação da região mais sensível do planeta.

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A visibilidade ganhou ainda mais força após a visita do ator Will Smith à Criosfera 1, base científica brasileira no continente, durante as gravações do documentário ‘Polo a Polo’. Viagens de Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones à região polar também chamaram atenção nas redes sociais, enquanto Leonardo DiCaprio, mesmo sem nunca ter estado no continente, se consolidou como um dos principais defensores da causa climática, financiando pesquisas e pressionando líderes globais.

Para a Dra. Francyne Elias-Piera, bióloga, pesquisadora antártica e fundadora do Instituto Gelo na Bagagem, esse tipo de visibilidade tem peso real no debate público. “A ciência alerta há décadas sobre o colapso do sistema polar, mas muitas vezes é a voz de uma celebridade que faz o tema romper a bolha científica”, afirma.

Além da exposição midiática, artistas passaram a integrar movimentos formais de pressão política. Uma carta internacional liderada pela oceanógrafa Sylvia Earle reuniu assinaturas de cientistas e personalidades, com apoio de brasileiros como Klebber Toledo. O documento pede a criação de áreas marinhas protegidas e a redução da pesca industrial de krill, base da cadeia alimentar do Oceano Austral.

“O krill sustenta baleias, focas e pinguins. Sem ele, todo o ecossistema entra em colapso”, alerta Francyne, que também assina a petição.

Apesar da pressão crescente, a CCAMLR, comissão internacional responsável pela conservação dos recursos marinhos da Antártica, não consegue avançar. Há quase uma década, o grupo falha em aprovar novas áreas protegidas e, no último ano, sequer renovou os limites à pesca de krill.

“É um retrocesso ambiental sério e silencioso, em um momento em que os dados mostram recordes de derretimento e mudanças na circulação oceânica que afetam o clima global”, afirma a pesquisadora.

Francyne Elias-Piera destaca que a presença de celebridades não substitui decisões políticas. “A Antártica não precisa de mais slogans. Precisa de acordos efetivos e liderança internacional”, conclui.

 

 

 

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MM
postado em 23/01/2026 06:59 / atualizado em 23/01/2026 10:01
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