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'Coração acelerado' estreia às 19h, batendo forte no ritmo sertanejo

TV Globo lança nova novela abordando o universo do Centro-Oeste brasileiro ao som da música regional

A partir de amanhã, a faixa das 19h da TV Globo abre 2026 apostando em música, romance e crítica de costumes com a estreia de Coração acelerado. Escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, a novela mergulha no universo do sertanejo feminino, o feminejo, para contar uma história de ambição, rivalidade, amor e bastidores do showbiz, ambientada no Centro-Oeste brasileiro.

A trama se passa na fictícia Bom Retorno, em Goiás, cenário que respira música, rodeios, vaquejadas e disputas por visibilidade. No centro da história está Agrado Garcia, personagem de Isadora Cruz, criada em caravanas musicais e movida pelo sonho de se tornar cantora, inspirada por ídolos populares do sertanejo. No caminho, ela cruza com Eduarda, a Duda, vivida por Gabz, uma jovem batalhadora que trabalha em uma lanchonete e sonha com os palcos. Juntas, elas formam a dupla As Donas da Voz e passam a enfrentar o machismo estrutural da indústria fonográfica.

O sucesso das duas se entrelaça a um triângulo amoroso e profissional que envolve João Raul, interpretado por Filipe Bragança, um cantor consagrado conhecido como o "Mozão do Brasil", que reencontra Agrado depois de uma ligação no passado. A ascensão da dupla, no entanto, passa a ser ameaçada pela influenciadora Naiane, a "Princesinha Country", papel de Isabelle Drummond, e pela empresária musical Zilá Amaral, vivida por Leandra Leal, uma figura poderosa e estratégica nos bastidores do mercado artístico.

Folhetim musical

Com cerca de 15 músicas inéditas, Coração acelerado reforça o caráter musical da faixa das sete e retoma uma fórmula que já deu certo na emissora. O projeto carrega um DNA reconhecível. Maria Helena Nascimento volta a trabalhar com música após o sucesso de Rock story, enquanto Izabel de Oliveira retoma o tom popular e bem-humorado que marcou Cheias de charme.

Para Maria Helena, a novela dialoga diretamente com o presente ao abordar o contraste entre vida real e exposição midiática. "É uma novela, mas a gente aborda um pouco a vida real em contraste com a vida midiática. As pessoas têm um embate entre a verdade e a mentira. Os artistas na nossa novela se cansam dessa superexposição, das mentiras, da rapidez com que elas se espalham e da força que ganham", explica a autora.

"A ideia de fazer uma novela focada na música sertaneja veio da minha paixão pela história popular, porque identifico o sertanejo como o gênero mais parecido com novela no universo da música. As canções sempre contam uma história de amor, falam de sentimento, são populares, comunicam imediatamente. Eu tinha uma certa fascinação por isso", afirma Izabel.

Divulgação/Globo -
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Manoela Mello/Globo -

A força feminina no topo

Para Isadora Cruz, Coração acelerado é, acima de tudo, uma história sobre sonhos. "Queremos inspirar todo mundo a acreditar no seu sonho, ouvir a intuição. Nossa história não fala só de música e amor, mas principalmente de sonho", diz. Sobre Agrado, ela completa: "É uma personagem criada somente por mulheres, realidade de muitas famílias brasileiras. Crescemos acreditando no impossível. Agrado cresce de peito aberto para o mundo."

A figura de Marília Mendonça, referência central do feminejo, morta em 2021, também permeia a construção da novela. "Já amava Marília Mendonça e me emociono muito só em falar o nome dela. Ela deixou um legado que transformou a música no Brasil e trouxe muita verdade por meio das composições. É lindo ver essas mulheres que abriram caminho para contar essas histórias", afirma Isadora.

Entre os destaques do elenco está a participação de Paula Fernandes, que interpreta Maria Cecília, avó de Agrado e grande inspiração da protagonista. A personagem simboliza uma geração de mulheres que abriram caminho no sertanejo. "A gente enfrenta inúmeros desafios por sermos mulheres, mas a estrada é muito complicada, porque o sistema sempre foi preparado para homens, para duplas masculinas", relembra a cantora. "Na época em que apareci, eu tive que realmente ser 'boi de piranha'. Havia outras mulheres, como Sula Miranda e as Irmãs Galvão, mas eu enfrentei inúmeras barreiras para chegar ao momento atual, em que elas estão pavimentando uma nova estrada para a próxima geração."

"Acho que a novela traz muito desse movimento feminino, de mulheres fortes, artistas, de geração em geração, que começa na Cecília", reforça a cantora, que também celebrou o retorno às novelas após Deus salve o rei, em 2018. "Estou extremamente feliz. Estar no set, conceber essa personagem tem sido um dos momentos mais incríveis da minha vida. A Cecília é forte, determinada, genuinamente artista, e enfrenta o machismo do marido", conclui.

Isabelle Drummond, que volta às vilãs como a influenciadora Naiane, vê na novela um retrato da força feminina contemporânea. "O Brasil é um país de mulheres, em que elas seguram as coisas sozinhas, são fortes e vão em frente com garra. A novela vai representar isso não só pelo feminejo, mas também pelo lado do empreendedorismo", afirma a atriz, cuja personagem vive um triângulo amoroso com João Raul e Agrado.

De volta às novelas após 11 anos, Leandra Leal destaca a importância do formato em sua trajetória. "Queria muito fazer novela agora. Fiz vários filmes, dirigi série, fiz peça, documentário, mas a novela tem um lugar de alcance gigantesco no nosso país. Até para fazer tantos projetos autorais, fazer novela é essencial", diz a atriz, que interpreta a empresária Zilá Amaral, mãe da personagem vivida pela ex-colega de Empreguetes. "Um reencontro mágico", ambas definem.

Com humor, exagero, vilões carismáticos e amores turbulentos, Coração acelerado aposta no poder da música popular para embalar emoções e discutir temas como machismo, superexposição e empoderamento feminino, prometendo começar 2026 com o coração do público batendo no ritmo do sertanejo. O elenco traz, ainda, nomes como Letícia Spiller, Daniel Oliveira, Marcos Caruso, Antônio Calloni, Diego Martins, Luellem de Castro, Elisa Lucinda, Stephan Nercessian, Thomás Aquino, Guito, Gabriel Godoy, David Junior, Evaldo Macarrão, Luiz Henrique Nogueira, Lucas Wickhaus, entre outros. A direção artística cabe a Carlos Araújo.

 


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