Cinema

Ao NYT, Wagner Moura diz não querer fazer papéis estereotipados

Ator é uma das grandes apostas para o Globo de Ouro, que ocorre neste domingo (11), e para o Oscar 2026, em março

Em entrevista ao New York Times, Wagner Moura falou sobre o novo momento na carreira, do sucesso de O Agente Secreto, e sobre política brasileira. O ator é uma das grandes apostas para o Oscar 2026 e é um dos indicados ao Globo de Ouro, que acontece neste domingo (11/1).

Moura vem ganhando grande destaque internacional, principalmente após estrelar a série Narcos, da Netflix, em 2015. Em 2024, foi a vez de Guerra Civil, de Alex Garland. Agora, o longa O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e a série Ladrões de Drogas, da Apple TV, colocam o brasileiro na lista de apostas de grandes premiações internacionais.

"Nunca fiz nada por dinheiro ou porque é um grande sucesso em Hollywood que todo mundo vai ver. E, especialmente depois de Narcos, não quero fazer nada que estereotipe os latinos” afirma Moura, que diz não ter medo de dizer "não" à indústria.

O ator também relaciona o enredo de O Agente Secreto, ambientado no Brasil dos anos 1970, ao ambiente político atual do país.  “Adoro o fato de que este filme está sendo lançado no Brasil em um momento em que finalmente estamos, de certa forma, acertando as contas com a nossa memória”, diz se referindo às condenações de envolvidos na tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"As instituições no Brasil são mais fortes que as dos Estados Unidos? Acho que não. Mas, na minha opinião, isso aconteceu porque os brasileiros sabem o que é uma ditadura”, declara o ator.

Na entrevista, Moura, que passou de ídolo da extrema direita pelo filme Tropa de Elite (2007) para “comunista” por dirigir Marighella (2019), também aponta que as contradições da sociedade brasileira se refletem na política.

“É lindo, mas o Brasil também é violento, elitista, misógino e homofóbico", diz. "E Bolsonaro é a personificação de tudo isso”. Para Wagner Moura, os ataques da direita contra artistas fazem parte de uma ferramenta política.

“Quando dizem que nós, artistas, somos essa elite intelectual contra o povo, as pessoas acreditam", aponta. "É como o velho manual do fascismo, em que atacam a imprensa, artistas, universidades, coisas assim. E ele foi muito eficaz”.

Premiações

Neste domingo (11), Moura concorre ao prêmio de Melhor Ator em filme de drama no Globo de Ouro. O Agente Secreto também concorre às categorias Melhor Filme – Drama e Melhor Filme em Língua Não Inglesa, emplacando a inédita indicação tripla para um filme brasileiro na premiação.

A vitória pode impulsionar mais estatuetas para o filme no Oscar 2026, seguindo o sucesso de Ainda Estou Aqui no ano passado. 

No Oscar, Wagner Moura concorre com atores famosos como Leonardo DiCaprio,  Michael B. Jordan e Dwayne Johnson. 

Ao todo, o longa de Kleber Mendonça Filho, já acumula mais de 50 prêmios nacionais e internacionais. No Festival de Cannes, Moura e Mendonça foram premiados como melhor ator e melhor diretor, respectivamente.

 

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