Amigos e pessoas próximas à multiartista Elke Maravilha (1945–2016) vieram a público para contestar declarações feitas pelo jornalista Chico Felitti, autor do livro Elke: Mulher Maravilha, que afirmou, em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, que a artista teria morrido “no esquecimento” e em condições indignas. As falas repercutiram nas redes sociais.
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Durante a participação no programa, exibido nesta semana, Felitti declarou que Elke teria passado seus últimos dias isolada e vivendo em um apartamento tomado por lixo. “Ela morreu quase no esquecimento, num apartamento com mais de cem sacos de lixo dentro. Alguém que foi tão grande para o Brasil, um farol para tanta gente, terminou sem um fim digno”, afirmou.
O jornalista também questionou versões contadas pela própria artista sobre sua origem, dizendo que Elke não teria nascido na Rússia, como costumava relatar, mas na Alemanha, durante o regime nazista da Segunda Guerra Mundial.
As afirmações foram rebatidas por amigos da apresentadora. A advogada Solange Maia, que conviveu de perto com Elke e dirigiu o documentário Elke no País das Maravilhas (2007), classificou as declarações como falsas e ofensivas. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que o jornalista nunca entrevistou a artista nem fez parte de seu círculo de convivência.
“Fiquei indignada ao ouvir este senhor falar da Elke. Ela não morreu no esquecimento. O apartamento era pequeno e sempre limpo, cuidado por uma funcionária. Não havia como sair de lá cem sacos de lixo. O que foi escrito nesse livro é um absurdo”, disse. Solange também desmentiu a fala sobre a origem dela. Segundo ela, o pai de Elke era russo e a mãe alemã, e a própria artista já havia explicado a existência de documentos falsos alemães como uma forma de proteção familiar em meio ao contexto histórico da época.
O assessor Marcos Nienke, que esteve no apartamento da artista no dia do enterro, também negou a existência de lixo acumulado. “O local estava limpo e organizado, repleto de peças de arte, quadros e seus figurinos. Tratar o acervo da Elke como lixo é de uma irresponsabilidade enorme.”
A cantora Karina Buhr afirmou que a artista não morreu abandonada. “Ela tinha amigos presentes e era cuidada com muito carinho pelo irmão Fred. Ela não morreu sozinha e nem enterrada no lixo. Não entendo porque ele está falando isso”, escreveu.
Multiartista
Elke Maravilha morreu em 16 de agosto de 2016, aos 71 anos, no Rio de Janeiro, após complicações de saúde. Ela estava internada depois de uma cirurgia para tratar uma úlcera e também enfrentava diabetes e problemas cardíacos. Em 2026, a morte da artista completa 10 anos.
Confira o vídeo:
Diante da repercussão, Chico Felitti usou as redes sociais para reiterar as informações apresentadas no programa. Segundo ele, os dados do livro foram checados e são baseados em documentos oficiais. “Tenho a certidão de nascimento da Elke, da Alemanha. Tudo o que escrevi é comprovado. A história dos itens na casa dela, foram sacos e sacos [de lixo] mesmo. Alguns falam de acúmulo, outros que ela era uma colecionadora. Tinha de tudo, peruca, objetos que ela levou para o mundo. Roupa, muita roupa”, disse.
O jornalista também contextualizou a fala sobre solidão. “Ela tinha um ressentimento muito grande da falta de trabalho no fim da vida, ela não tinha dinheiro para pagar plano de saúde, por exemplo. Ela fez uma campanha próxima da morte e pagou o plano atrasado, então estava com problemas financeiros sim. Ela tinha amigos próximos, muita gente que amava e cuidava dela. Isso tá tudo no livro, só não consigo colocar tudo em um vídeo de 30 segundos.”
