MÚSICA

Cantor lança álbum "anti-algoritmo" como forma de combate à indústria

Disco foi gravado durante um show na Casa da Cultura de Barbacena, MG

O álbum
O álbum "The Curupira Concert", do cantor João Tostes foi gravado em 2018 e lançado no último dia de 2025 - (crédito: Reprodução /YouTube /Toca Ukulele com João Tostes)

Com a ascensão e o crescimento exponencial das redes sociais e o da alta de conteúdos curtos, a indústria da música tem se atrelado e adaptado cada vez mais ao mercado dessas plataformas digitais, produzindo músicas para se encaixarem nesse tipo de conteúdo, com o objetivo de ter uma maior exibição das músicas nas publicações.

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Pensando nisso, o cantor João Tostes lançou um álbum como um gesto de confronto a essa vertente que a indústria musical vem tomando, algo que ele chamou de “manifesto anti-algoritmo”. De acordo com o artista, o The Curupira Concert é um disco sem correções digitais, que preserva a cultura misturando ritmos como baião, samba e maxixe, mantendo assim uma estética brasileira.

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“Em vez da perfeição plástica exigida pelo streaming, optei por manter a respiração, o risco e a dinâmica real do palco, sem as correções digitais que padronizam tudo.” disse Tostes ao Correio sobre as escolhas para a produção artística.

Apesar de ter sido lançado no final do ano passado, a gravação do conteúdo foi feita em 2018. Algo que também chama a atenção no álbum é o fato dele ter sido gravado durante uma apresentação ao vivo na Casa da Cultura de Barbacena, MG, sem edições e estando suscetível a imprevistos e erros, o que de acordo com o artista, foi um desafio.

“O risco foi apostar no tempo longo, num momento em que tudo pede urgência.” comentou Tostes. “Ao lançar um álbum ao vivo dessa forma, aceitei que ele talvez não se encaixasse facilmente em certos circuitos, especialmente aqueles que privilegiam uma escuta contínua, homogênea e rápida. Essa aposta tem a ver com quem eu sou. Eu penso a música como percurso, como narrativa, e não apenas como sucessão de faixas”, completou.

Tostes destaca também que ao transformar tudo em playlist, o arco narrativo pensado por quem compõe e organiza uma obra se desfaz, o álbum deixa de ser um lugar onde o ouvinte entra e permanece, e passa a funcionar apenas como um conjunto de faixas soltas. “O que fica de fora, no fim das contas, é o convite para o ouvinte sair da superfície e mergulhar na profundidade que obras como essa propõem”, completa.

*Estagiário sob supervisão de Ronayre Nunes

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postado em 03/02/2026 22:07 / atualizado em 03/02/2026 22:11
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