
As próprias origens guiaram a artista Juliana Lama na concepção da instalação Armando redes, em cartaz na Galeria Risofloras como parte do projeto Ocupa, do Programa Jovem de Expressão. Com um universo familiar que vem da cidade de Manaus (AM), a artista cresceu ouvindo narrativas de bichos e seres da floresta. "Que são tecnologias de conhecimento, com maneiras bem específicas de organizar o pensamento, com uma aproximação ao universo do sonho", explica.
Juliana mergulhou na pergunta "de onde elas (as narrativas) vieram para estarem na minha família como um hábito comum?". "Encontrei a resposta em depoimentos de povos indígenas amazônidas, entendendo que esse é um legado fundamental para a construção do ser, do pensamento, do sentimento, são conhecimentos", diz. "Ouvimos essas histórias quando estamos sendo moldadas no mundo, apresentadas a ele, em uma perspectiva que envolve o território e os outros seres que vivem nele". A partir disso, Juliana se perguntou se daria conta, ela mesma, de dar continuidade, enquanto narradora, a esse elo com o universo mítico e ancestral da floresta.
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Redes de dormir são utensílios comuns nas culturas amazônicas e do Norte do país, invocam hábitos oriundos das aldeias, mas também das populações urbanas, além de servirem como metáfora do sonho e do descanso. A instalação Armando redes traz um pouco de todos esses elementos em uma atmosfera delicada que explora, também, os olhares de outros seres que habitam o planeta. A rede, lembra a artista, é uma espécie de terreno para as narrativas: embaladas no movimento de vaivém, as histórias desfilam em um exercício de oralidade vital para a sobrevivência da cultura. "Armar redes também é uma provocação sobre as lutas cotidianas por dignidade, uma pergunta sobre que armas e que laços podemos encontrar como caminhos para viver melhor, atentas a subjetividades", ensina a artista.
Para ela, Armando redes nasceu da investigação das origens familiares e se aprofundou ao estudar os movimentos diaspóricos na cidade de Manaus. "E também nasce da vontade de contar outras narrativas sobre a nossa história, brasileira, amazônida, me permitindo adentrar em sutilezas para fazer isso, pois o modo de fazer algo também diz muito sobre a coisa em si", avisa.
Armando redes
De Juliana Lama. Visitação até 6 de março, de terça a sábado, das 12h às 17h, na Galeria Risofloras (Praça do Cidadão, Ceilândia/DF). Entrada gratuita

Diversão e Arte
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