
Marilia Toledo está em todas. Ou, pelo menos, em três palcos ao mesmo tempo. Enquanto São Paulo assiste aos sucessos de Ney Matogrosso – Homem com H e Gal, o musical, o Rio recebe O adorável Trapalhão, sobre Renato Aragão. Se a agenda parece puxada, a dramaturga, roteirista e diretora não reclama. Pelo contrário: ela pediu por isso.
Com 26 anos de carreira transitando entre teatro, televisão e cinema, Marília encontrou nos palcos um território onde pode exercer um papel até então restrito ao audiovisual estadunidense: o de showrunner. É ela quem escreve, escolhe o elenco, define a equipe criativa e dirige. E, garante, o resultado final só tem a ganhar.
“Eu trouxe um pouco esse modelo do audiovisual. Nos meus musicais, faz muita diferença a pessoa que escreve poder ser a pessoa que escolhe o elenco, que escolhe a equipe criativa, que está na sala de ensaio encenando junto”, afirma. A única desvantagem, brinca, é o cansaço. “Artisticamente, eu só vejo vantagens”, conclui ela, que também esteve à frente do musical Silvio Santos vem aí.
Dois métodos, um objetivo
Criar um musical sobre um ícone da música brasileira exige um processo diferente de contar a história de uma personalidade de outra área. E Marilia Toledo domina ambas as abordagens.
Para Ney Matogrosso e Gal Costa — ambos intérpretes, não compositores — o trabalho começa na pesquisa minuciosa de suas vidas. A partir daí, a dramaturgia se estrutura em torno de um vasto repertório, selecionando as canções que melhor representam fases específicas, sentimentos e pensamentos desses artistas. “É assim que a gente costuma estruturar e criar esses projetos”, explica.
Já no caso de Renato Aragão e Silvio Santos — figuras do universo televisivo e não necessariamente ligadas à música — a fórmula é híbrida. Toledo encomenda canções originais a compositores como Marco França e Suassuna, fornecendo briefings detalhados sobre o que cada letra precisa comunicar na dramaturgia. Essas músicas inéditas são então mescladas com canções icônicas que marcaram a trajetória dos biografados, como a parceria entre Chico Buarque e Maria Bethânia que acabou incorporada ao universo do Trapalhão.
Autonomia e hierarquia
A diferença entre escrever para teatro e para televisão, segundo Marília, se resume a uma palavra: liberdade. No teatro, ela é sua própria chefe. Tem sócios que confiam em seu trabalho e patrocinadores que se aliam a projetos já criados, sem qualquer poder de interferência no conteúdo.
Na televisão, a história é outra. “Você faz para um canal, então o canal aprova absolutamente tudo, tudo passa pela decisão da direção do canal em questão”, conta. Foi assim em sua passagem pela GNT, onde assinou temporadas da aclamada série Sessão de terapia, dirigida por Selton Mello. “É um trabalho menos livre, mas muito gostoso também de fazer”, pondera.
E a novela? Apesar do gênero ser um dos produtos mais consumidos no país e de ter recebido um convite no passado, Toledo não tem planos imediatos. “Eu sempre tive muita vontade, mas acabou não acontecendo. Por hora, não está nos meus planos. Eu estou muito feliz fazendo teatro, criando os meus projetos e produzindo os meus projetos”, observa a criadora, que escreveu 90 episódios de Momentos em família, curtas de um minuto exibidos após a novela da Rede Globo Em família (2014), a última obra de Manoel Carlos.
Um próximo ato
O sucesso presente não impede que Marilia Toledo olhe para o futuro. Seu próximo projeto no teatro está em gestação: um musical sobre Cazuza. Mas com um olhar inédito: “Com um enfoque na Lucinha, na mãe do Cazuza. Quem vai ser a protagonista vai ser a Lucinha”, revela. O repertório do cantor continuará em cena, mas a dramaturgia promete trazer à tona a figura da mulher que, até hoje, mantém vivo o legado do filho. “Deixando muito mais presente essa mulher maravilhosa, essa mãe incrível”, defende.
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Dois métodos, um objetivo
Criar um musical sobre um ícone da música brasileira exige um processo diferente de contar a história de uma personalidade de outra área. E Marilia Toledo domina ambas as abordagens.
Para Ney Matogrosso e Gal Costa — ambos intérpretes, não compositores — o trabalho começa na pesquisa minuciosa de suas vidas. A partir daí, a dramaturgia se estrutura em torno de um vasto repertório, selecionando as canções que melhor representam fases específicas, sentimentos e pensamentos desses artistas. "É assim que a gente costuma estruturar e criar esses projetos", explica.
Já no caso de Renato Aragão e Silvio Santos — figuras do universo televisivo e não necessariamente ligadas à música — a fórmula é híbrida. Toledo encomenda canções originais a compositores como Marco França e Suassuna, fornecendo briefings detalhados sobre o que cada letra precisa comunicar na dramaturgia. Essas músicas inéditas são então mescladas com canções icônicas que marcaram a trajetória dos biografados, como a parceria entre Chico Buarque e Maria Bethânia que acabou incorporada ao universo do Trapalhão.
Autonomia e hierarquia
A diferença entre escrever para teatro e para televisão, segundo Marília, se resume a uma palavra: liberdade. No teatro, ela é sua própria chefe. Tem sócios que confiam em seu trabalho e patrocinadores que se aliam a projetos já criados, sem qualquer poder de interferência no conteúdo.
Na televisão, a história é outra. "Você faz para um canal, então o canal aprova absolutamente tudo, tudo passa pela decisão da direção do canal em questão", conta. Foi assim em sua passagem pela GNT, onde assinou temporadas da aclamada série "Sessão de terapia", dirigida por Selton Mello, e na Record, onde trabalhou em "Marcas da vida". "É um trabalho menos livre, mas muito gostoso também de fazer", pondera.
E a novela? Apesar do gênero ser um dos produtos mais consumidos no país e de ter recebido um convite no passado, Toledo não tem planos imediatos. "Eu sempre tive muita vontade, mas acabou não acontecendo. Por hora, não está nos meus planos. Eu estou muito feliz fazendo teatro, criando os meus projetos e produzindo os meus projetos", observa a criadora, que escreveu 90 episódios de "Momentos em família", curtas de um minuto exibidos após a novela da Rede Globo "Em família" (2014), a última obra de Manoel Carlos.

Diversão e Arte
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