
O Museu Nacional da República, na noite de hoje, recebe uma homenagem a um dos grandes artistas brasilienses. O espetáculo Viva Renato! - Contando e cantando Renato Russo atravessa a vida e a obra do vocalista do Legião Urbana pelas músicas solo do artista, canções menos conhecidas do grupo e os grandes sucessos. Celebrando 66 anos do nascimento de Renato Russo, a apresentação é comandada por Alex Sanderson, na voz, violão e bateria ao lado de Thays Rossi no contrabaixo. Para Alex Sanderson, grande fã de Renato Russo, o objetivo é que a plateia se conecte com o show.
"Espero que as pessoas se sintam parte do show, cantando comigo, participando. Não se trata de mais um show com o artista distante da plateia, separados por um personagem. É um grande encontro entre fiéis legionários. É uma celebração entre amigos comemorando o aniversário de 66 anos de um mito, eternizando seu legado", descreve. O artista conta ao Correio sobre sua história como intérprete de Renato Russo, a relação com Brasília, cidade do homenageado, e a importância da Legião Urbana em sua vida.
Como você começou a interpretar o Renato Russo?
A minha interpretação do Renato Russo é um grande gesto de gratidão por tudo que ele representa na minha trajetória. Antes de me tornar um artista, embora já ouvisse as canções dele nas rádios (sempre sem ligar muito o nome à pessoa), eu descobri o Renato em 1995, 1996, quando ainda era um adolescente em plena formação da minha personalidade. Eu estava descobrindo as mazelas do mundo. E, de repente, eu descubro um cara, que sequer me conhecia, mas que parecia traduzir os sentimentos que estavam surgindo, os pensamentos que eu já produzia, mas nunca havia conseguido verbalizar. Vi no Renato um porta-voz que traduzia a minha verdade em forma de canção. E isso transformou tudo. Eu via na arte, um norte, uma forma de me comunicar. Como nunca tive aulas de música, eu ficava ouvindo as minhas fitas K7 o dia inteiro. Tentava aprender a cantar, a tocar, emular os timbres do Renato. E, naturalmente, a minha voz foi criando as mesmas nuances, despertando o interesse das pessoas. E, assim, os convites foram surgindo, desde pequenos shows, até culminar na participação nos filmes relacionados ao Renato (Rock Brasília – A Era De Ouro, Faroeste Caboclo e Somos Tão Jovens).
Qual sua relação com a música dele, o que Legião Urbana simboliza para você?
A Legião Urbana é o emblema da minha geração. Estas músicas me inspiram profundamente na hora de compor o meu trabalho autoral. Existe uma influência direta. Hoje, como músico, diretor, ator, tenho o dever de adotar uma relação profissional, que traz uma preocupação com o respeito à obra. Existe um legado a ser imortalizado. Mas, dentro desse universo, além de um profissional, eu também sou um fã igualzinho a quem está na plateia. E, por isso, a Legião Urbana me torna parte dela. Todos nós, fãs, somos a Legião Urbana.
Qual sua relação com Brasília, cidade do cantor?
Morei onze anos em Brasília, cidade pela qual me apaixonei antes mesmo de conhecer, ouvindo as citações de Renato em Faroeste Caboclo. Com 15 anos, eu saio de São Paulo em busca do sonho de viver na capital do rock - a cidade da Legião, da Plebe Rude, do Capital. Você viaja pelo país e, do Oiapoque ao Chuí, percebe que Brasília é lembrada por três coisas: o urbanismo (raramente), o poder político e a Legião Urbana. JK pode ter sido o grande criador dessa cidade que eu amo, mas foi o Renato Russo quem colocou Brasília no mapa.
Quais são as suas favoritas de cantar nos shows e por quê?
Existe o quesito performance fiel e existe o quesito reação do público. Sempre tem aquelas músicas que ficam mais parecidas com a versão original (Eu sei, Há tempos). Mas eu gosto de cantar as músicas que são menos famosas, porque elas surpreendem mais. É o que eu gostaria de ouvir como fã, se eu estivesse sentado na poltrona.
O que você mais admira na figura do Renato e nas composições do Legião Urbana?
O Renato era um gênio, maior que seus próprios ídolos. Ele conseguiu popularizar o rock. Sua linguagem, apesar de, muitas vezes, ser expressada na forma culta, erudita, atingia todas as tribos, todas as idades, todas faixas sociais, do juiz ao construtor. Ele era certeiro não só como artista, mas como estrategista dos negócios. Sabia conduzir a marca. A Legião tinha o negro, o branco, o loiro e o latino. É impossível não se identificar. Ele conseguia captar o pensamento coletivo naquele contexto dos anos 1980 e traduzir tudo em poesia. E, mesmo quando não cantava em português, ele conseguia destaque. Ou seja, não eram só as letras que o tornavam diferenciado.
VIVA RENATO! -CONTANDO E CANTANDO RENATO RUSSO
Domingo, a partir das 19h, no Museu Nacional da República. Ingressos a partir de R$ 50 +taxa do Ingresso Virtual.

Diversão e Arte
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