Dança

Espetáculo mistura kung fu e dança contemporânea com reflexão sobre mitologia

Percepção espacial, sonora e dos objetos de cena guia a montagem de obra inspirada na mitologia chinesa e em artes marciais

Espetáculo Chang'e mistura kung fu e dança contemporânea     -  (crédito: Humberto Araujo)
Espetáculo Chang'e mistura kung fu e dança contemporânea - (crédito: Humberto Araujo)

Na mitologia chinesa, Chang'e é a Deusa da Lua, personificando romance, graça e prosperidade das colheitas. Na vida terrestre, era esposa do arqueiro Hou Yi e subiu ao astro depois de ingerir uma poção da imortalidade presenteada ao marido. Chang'e é também o nome da missão espacial chinesa que, em 2019, foi a primeira a chegar no lado mais afastado da Lua. 

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Dessa mistura entre o eterno e o inovador surgiu o espetáculo Chang'e, que mistura dança contemporânea e a tradição do kung fu e tem performances de Carol Barreiro e Kimberlly Lima. 

A dançarina e praticante do kung fu Carol Barreiro fez a primeira montagem do espetáculo em 2021, a partir da vontade de compreender como o invisível poderia se encaixar na dança. "Naquela época, eu já trabalhava com pessoas com deficiência visual e buscava o elo entre a presença do dançarino em cena e os recursos de uma dança que não estivesse submetida ao regime da visualidade", diz. Como acessar uma dança que não é necessariamente feita para ser vista e o que ela pode provocar se não estiver condicionada a esse sentido foram algumas das perguntas que buscou responder.

Agora, Carol se junta a Kimberlly Lima, artista marcial com deficiência visual cuja percepção espacial, sonora e dos objetos de cena guiou a remontagem da obra. O foco está na relação sonora com o espaço e a outra dançarina em cena. "Nossas presenças se entrelaçam em composições onde improvisamos para nos perder e coreografamos para nos encontrar. Enquanto ocupo o espaço, a Kim sente a densidade e o deslocamento do corpo com o qual divide a cena, estabelecendo uma comunicação que transcende a visão", conta Carol. 

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Em cena, Kimberlly usa um dispositivo que captura os movimentos do corpo em tempo real e os transforma em sons fractais com um sistema desenvolvido por Eufrásio Prates, diretor musical da obra. Com auxílio de uma agente de inteligência artificial, é capaz de improvisar qualquer obra musical e sons da natureza, como ventos e rios. 

O dispositivo também permite uso de sintetizadores e simuladores de instrumentos acústicos. Os sons se misturam ao Erhu, instrumento chinês tocado, na obra, por Tom Suassuna.

*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco

 


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postado em 04/04/2026 00:01 / atualizado em 04/04/2026 16:31
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