
Seis dias e 23 filmes projetados, em mais de 30 sessões — todas com entrada franca, no coração pulsante do cinema na capital: o Cine Brasília (EQS 106/107) será a vitrine da terceira edição da mostra A Cinemateca é Brasileira — da Comédia ao Drama. A itinerância da Cinemateca pelo país é propiciada pelo projeto Viva Cinemateca, detido na recuperação de acervos, e no reaparelhamento (mais moderno) da instituição.
Grande sala de projeção do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o Cine Brasília exibirá vencedores de múltiplos prêmios como A hora e vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos (isso ainda na chamada 1ª Semana do Cinema Brasileiro) e títulos como Branco sai, preto fica, do ceilandense Adirley Queirós que venceu troféu Candango, em 2014, de melhor filme, ator (Marquim do Tropa) e direção de arte (Denise Vieira).
Junto com filmes de Jorge Furtado, Roberto Farias, Fernando Coimbra e Juliana Rojas, será a oportunidade de rever longas como Los silencios (2018), que reordena o cotidiano de uma família abalada pela violência. À época do lançamento, a cineasta contou ao Correio: "Sou feminista e acredito que meu filme, que brotou de mim, também o seja. Além de ele ter sido escrito, dirigido e produzido por mim, quase todas as cabeças de equipe eram mulheres”.
Criada em Taguatinga, e premiada em 2015 (aos então 26 anos, no Festival de Sundance), Camila Márdila, uma "privilegiada brasiliense", está em Que horas ela volta? (incluído na programação). Quando da premiação no exterior, ela confidenciou: "Não posso dizer que frequentei, desde pequena, o Cine Brasília, mas, para você ter uma ideia, no de 2014, fui para Brasília só para acompanhar o festival inteiro. É o mais legal no qual já fui”.
A mostra da Cinemateca ainda traz frente de longas destacados no cenário internacional, como a animação O menino e o mundo (de Alê Abreu), indicada para o Oscar, em 2016. O então quarentão Abreu, demarcou a importância do "caminho natural", depois das lições de animação, no Museu da Imagem e do Som, iniciadas aos 12 anos.
Um tom de elegia também indireto se acopla à mostra, como indicam as projeções de Última parada 174, de Bruno Barreto, e ainda Últimas conversas, de Eduardo Coutinho (finalizado por João Moreira Salles, diante da morte de Coutinho em 2014). O filme de Barreto examina a morte, aos 22 anos, em 2000, de Sandro do Nascimento, sobrevivente da Chacina da Candelária e que sequestrou um ônibus, em evento de proporções midiáticas. Na versão ficcional de Bruno Barreto há recusa de sentimentalismo ao narrar da vida pregressa do menino em situação de rua que virou trágica celebridade.
Atestando a rotina como algo insuportável, Eduardo Coutinho (protagonista em Últimas conversas) prezava, na realização de seus documentários, personagens singulares. Diplomático e experiente, ele, em si, era um deles. No filme que trata de sua ligação com a sétima arte ("um meio de estar vivo”, como havia confessado). A vivência e revelações de sua vida estampam a tela do homem cioso da intimidade doméstica e que abruptamente saiu de cena, em episódio violento.
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