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O Biff retorna: é o prestigiado cinema internacional, de graça, no Cine Brasília

Festival Internacional de Cinema de Brasília retorna ao Cine Brasília, com ênfase na programação especial para os jovens e entrada gratuita

Filme Salum, 
atração da mostra -  (crédito: BIFF 2026/Divulgação)
Filme Salum, atração da mostra - (crédito: BIFF 2026/Divulgação)

Quase quatro anos de uma lacuna, e o Festival Internacional de Cinema de Brasília (Biff), na nona edição, chega ao Cine Brasília (EQS 106/7), em cartaz gratuito, e com 600 poltronas; com exibições de filmes a partir das 20h desta quarta (29/4). "É espanar poeira, dar volta por cima das questões financeiras e acreditar que teremos editais, acreditar na relevância dos festivais de cinema como vitrine dos filmes. Agora é comemorar ano de Copa, e de golaço com a retomada do Biff", celebra Anna Karina de Carvalho, diretora-geral do evento. Em busca de um cinema que gere debates e forme cabeças e público, Anna, há 30 anos em campo de festivais, carregou parte do cinema brasileiro para eventos na Suécia, na Holanda e na Macedônia, plantando a semente de reconhecimento para nossas obras.

Critérios como ser entre a primeira e a terceira incursão de um diretor moldaram o novo Biff que acolhe filmes feitos entre 2025 e 2026. "A edição é mais modesta, porém completa. A mostra competitiva passou pelo crivo de curadoria — foram inscritos mais de 800 filmes", conta Anna Karina, ciente do papel de formação de público e de oportunidades para a cinefilia coletiva. "Brasília é uma cidade jovem e temos a possibilidade de uma ferramenta gigante nas mãos: o Biff gera senso crítico, diversão, teor político, entretenimento e encontro", reforça. A missão de trazer o jovem, muito preso ao streaming, para uma programação que propicie a experiência do encontro e da sala de cinema, foi perseguida, dados os efeitos da pandemia, que afetou a socialização nessa faixa etária. Nisso, despontou o flanco do Biff Junior, que conta com o jovem ator Théo Medon na curadoria, fortalecida por seu impacto nas redes sociais com 3 milhões de seguidores. "Alguns filmes vindos das Filipinas e da Croácia, por exemplo, terão dublagem ao vivo. Fora isso, haverá promoção de uma oficina de dublagem", comenta a diretora-geral.

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Para além da exibição de filmes saídos da Mostra de Cinema Negro Adélia Sampaio (como Vasta natureza de minha mãe e Me farei ouvir), o Biff acentua a veia política na seleção. "Queremos amplificar vozes que foram apagadas, que estavam canceladas e, durante tanto tempo, ficamos sem o Ministério da Cultura e durante tantos anos vimos opressões às mulheres, aos negros, aos LGBTs, que não tinham nenhum espaço espaço, num ambiente, majoritariamente, masculino, que é o dos grandes estúdios", observa Anna Karina. 

Na representação feminina foi idealizada retrospectiva dos filmes da brasiliense Cibele Amaral. "Ela tem filmes muito importantes para cidade, como Momento trágico, um clássico do cinema candango, e que levou todos os prêmios no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e em Gramado (em 2005). Há curtas que só temos chance de ver na telona se estiverem numa homenagem. Cibele tem um conjunto de obra muito interessante, muito inteligente. Além de atuar, ela é uma excelente roteirista e produtora, e diretora de pulso. O longa dela Por que você não chora é um filme importante que fala sobre o suicídio e do silêncio de doenças. Cibele, formada em psicologia, dá um banho na direção desse filme e consegue investir numa ficção científica como O socorro não virá", pontua Anna Karina.

Muitos cineastas ajustados ao perfil inovador do Biff buscaram a consolidação de filmes do porte de Alpha (de Julia Ducournau), Revoada — Versão Steampunk (de Ducca Rios), Hungria — A escolha de um sonho (de Cristiano Vieira e Izaque Cavalcante) e A sombra de meu pai (filme da Nigéria, assinado por Akinola Davies Jr). No impulso inicial, o Biff contará com a exibição de Fanon, de Jean-Claude Barny, em torno da figura do psiquiatra Frantz Fanon. "Traremos a importância do pensamento desse pensador, filósofo, que passa, às vezes, tão despercebido na escrita ou na memória das pessoas. Ter um longa desta magnitude é uma honra para o Biff", destaca a diretora. Selecionado para a programação do dia 1º de maio, dedicado ao trabalhador, Que horas ela volta?, em reprise, chega com recado incisivo para a classe. "Você quer um tema mais importante do que esse: ainda é muito urgente a questão da gigante desigualdade, em modelo colonialista, desta Casa Grande ainda atrelada ao Brasil", observa Anna Karina. Também da Gullane Filmes a animação Arca de Noé, demarca a maior coprodução brasileira já feita com a Índia.

Celebrações

Atrelado à eclética programação está Doval: O gringo mais carioca do futebol (de Federico Bardini e Sérgio Rossini), filme que explora a vida do Camisa 10 argentino Narciso Horácio Doval, que serviu tanto ao Flamengo quanto ao Fluminense. Ponto forte do Biff está na homenagem prestada para a produtora nacional Gullane Filmes. "Como se fala em retomada do cinema sem citar a maior produtora brasileira de cinema, que é a Gullane, com mais de 85 longas, e com séries de sucesso como Senna?!. Eles (os irmãos Caio e Fabiano) fizeram algo extraordinário. Numa época que não se conseguia fazer cinema, que não havia recurso, foram para a rua montar coprodução, buscar espaço em festivais internacionais e injeção financeira em produções brasileiras. Hoje, eles têm essa potência que traz filmes como O ano em que meus pais saíram de férias (2006), que, como Ainda estou aqui (Oscar de melhor filme internacional para o Brasil), sobre ditadura, usa a ferramenta do cinema, que é memória, para lembrar da história brasileira", demarca Anna Karina. Na parceria com o Cine Brasília, a entrada franca para as sessões traz forte carga de entusiasmo: "O público é para aproveitar o festival. O Biff tem que voltar com tudo, e volta com tudo, quando o público está junto, principalmente o público jovem", celebra.

 

  •  Julia Ducorneau, premiada em Cannes, comparece com o longa Alpha
    Julia Ducorneau, premiada em Cannes, comparece com o longa Alpha Foto: BIFF 2026/Divulgação
  • O filme de 
abertura será Fanon
    O filme de abertura será Fanon Foto: Fotos: BIFF 2026/Divulgação
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postado em 29/04/2026 11:57 / atualizado em 29/04/2026 12:02
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