O ano era 2015 quando Tiago Iorc viu a carreira mudar de patamar. O brasiliense vinha lançando álbuns desde 2008, mas foi com Troco likes que se consagrou como um dos principais nomes da nova geração da música brasileira. Primeiro disco inteiramente em português da discografia do cantor, o projeto rendeu o primeiro Grammy Latino do artista e transformou Coisa linda e Amei te ver nos maiores sucessos do compositor. Agora, pouco mais de 10 anos após o lançamento, ele celebra o sucesso e a longevidade do trabalho com uma versão deluxe, que reúne dez participações especiais, entre Ney Matogrosso, Menos é Mais e Marina Sena.
Apesar de entender que a tendência é se identificar com o presente, e não tanto com o passado, Tiago se surpreendeu ao revisitar Troco likes. "Eu fiquei muito feliz ao reescutar essas canções, agora com a reformulação das novas versões, feitas com esses parceiros", contou o artista ao Correio. "Esse distanciamento fez com que eu me sentisse como se estivesse contemplando o álbum quase sem fazer parte daquilo. Então, eu pude apreciar nuances e detalhes que talvez tenham passado despercebidos no meu entendimento", avaliou o músico.
"A sensação que eu tenho é de que, enquanto a gente está vivendo um momento, a gente não o valoriza exatamente na sua totalidade, ou nem consegue compreender, muitas vezes, o que está fazendo", refletiu Tiago. "Às vezes, a gente até desdenha da nossa capacidade. A gente se duvida muito ao longo da vida. 'Será que está bom? Será que é isso?'. Então me surpreendeu positivamente ouvir essas canções e pensar: 'Está bonito. Que coisa boa que essas músicas existiram dessa forma'."
Dez anos atrás, porém, a intenção de Tiago era "apenas" fazer um disco com faixas que as pessoas pudessem cantar junto. "Esse era o meu norte quando eu estava escrevendo as canções do álbum. Sinto que esse é o grande diferencial desse trabalho e que de fato, a partir dele, muitas coisas se realizaram na minha vida", destacou o compositor. "Lá atrás, claro que também tinha a vontade de fazer muito sucesso, porque eu queria viver de música, ter êxito nisso e poder realizar meus projetos", lembrou.
Para o cantor, Troco likes se alinha com o propósito de vida de se conectar com as pessoas e "aguçar a sensibilidade nelas". "Hoje, percebo que o êxito do disco está muito relacionado com a verdade que existe por trás dessa troca, que é o que estamos celebrando com essa regravação", pontuou o músico.
De projeto solo à versão colaborativa.
"Existe essa peculiaridade do álbum, que apesar de se chamar Troco likes, ele foi, originalmente, muito solitário. Não tinha nenhuma participação na primeira versão dele, então, é meio que uma reparação histórica em relação ao conceito do disco", comentou Tiago, entre risos, ao comentar as parcerias. "É uma conclusão desse ciclo, fazendo essa celebração e convidando amigos e artistas queridos que me acompanharam ao longo dos anos. São músicos com quem eu tinha vontade de colaborar e pessoas que eu admiro", explicou.
Entre as 10 parcerias, os conterrâneos do Menos é Mais ganham destaque em Amei te ver. "Eu adoro eles, são um fenômeno por completo", elogiou o compositor. O primeiro contato entre eles, no entanto, aconteceu ainda em 2024, quando os pagodeiros gravaram uma releitura de Coisa linda. "Já estava no meu radar o trabalho deles. Acho eles como movimento, e o Duzão como cantor, uma potência muito bonita e autêntica", observou.
"Como eles já tinham feito essa versão de uma música minha, me deu vontade de explorar uma outra possibilidade com eles em Amei te ver, justamente por ser uma canção tão expansiva, que dialoga muito com o universo da celebração e é natural do pagode e do samba", justificou Tiago.
No disco, ele vai além e explora também os ritmos do sertanejo, reggae e colabora até mesmo com o projeto infantil Mundo Bita. "Cata flor, por exemplo, que é a canção em que a Lauana Prado participa, tinha essa percepção, minha e dos meus produtores, de que seria uma boa canção para fazer com esse universo sertanejo", detalhou o artista.
Cada combinação entre música e colaboração, segundo ele, foi escolhida a dedo, "imaginando a melhor versão que se poderia chegar". "Não queríamos que fosse algo gratuito, queríamos que as faixas e as trocas soassem o mais naturais e verdadeiras possível", ressaltou o cantor.
"Foi bem especial resgatar essas canções e fazer novas versões com artistas que me parecem elevar esse trabalho para um diálogo muito bonito, levando as músicas para outro lugar. Apesar de preservadas a essência delas, as melodias e os acordes, essas faixas têm uma essência muito pura da autoria, do imaginário e do que se compreende delas, que chegaram em um lugar ainda mais bonito e me agrada bastante", concluiu.
A nova fase de Troco likes também chega aos palcos a partir de 1° de agosto, com estreia em São Paulo. Os shows da turnê comemorativa passam pelas principais capitais do país, incluindo Brasília, em apresentação única no Ulysses Guimarães, em 19 de setembro.
