É sobre a vida em um país ocupado, que decide colaborar com o invasor e, para isso, institui uma ditadura que a pesquisadora brasileira Franciele Becher se debruça no livro Sob a sombra da suástica, publicado pela Editora Contexto e que tem lançamento marcado para hoje, às 19h30, na livraria Circulares.
O livro é fruto de um doutorado no Institut d'Histoire du Temps Présent (IHTP) da Université Paris 8 (França), mas é, sobretudo, um documento sobre como um país erguido sob a bandeira da igualdade e da liberdade se rendeu a um regime racista, autoritário e genocida durante um período de vulnerabilidades que abalou a Europa.
Leia: Zé Felipe se manifesta sobre "maldição" de Luana Piovani
A França ocupada da Segunda Guerra e a vida cotidiana e individual durante esse período são os temas desenvolvidos por Franciele no livro. Na tese, a historiadora, que é especializada em infância e juventude, focou, principalmente, na vida dos jovens em um país em guerra. São as relações entre infância, adolescência e políticas públicas em governos autoritários que interessam à pesquisadora. No livro, ela vai além. "A tese é sobre infância e adolescência, mas esse livro é um pano de fundo, decidi usar tudo que estudei no doutorado para uma síntese mais completa do período da França ocupada, porque era uma lacuna, não tinha algo que falasse desse perído de forma mais completa em português", explica a historiadora.
Embora a bibliografia sobre ocupação, colaboração com o regime nazista e aspectos sociopolíticos do país naquele período sejam abundantes em francês e em inglês, a historiadora constatou que havia poucos livros sobre o assunto em português. "Não havia nada que desse conta, de forma mais completa, desse período todo. Então, uni o útil ao agradável, e o doutorado me deu acesso a toda essa bibliografia", conta.
Leia também: Juliano Floss não se contém e implora para Marina Sena: "Volta pra mim"
Sob a sombra da suástica também ajuda a colocar em perspectiva a situação vivida pela França nas décadas de 1930 e 1940. A República Francesa foi a única na Europa Ocidental a colaborar com o invasor com a ajuda de um regime ditatorial, mas o contexto que levou a essa situação é facilmente reconhecível em outros tempos na história de diversas nações. "A gente nota, historicamente, que em momentos de crise social, política e econômica alguns bodes expiatórios começam a ser mobilizados: seja estrangeiros, o que acontece até hoje, seja os judeus na guerra. A gente vai ter sempre esse olhar para justificar os problemas internos do próprio país, e isso vai ser manipulado, na França, desde antes da invasão nazista e vai ser a tônica de um governo que colaboraria com o nazismo", explica. "E num mundo de governos autoritários que tentam minar a democracia por dentro, esse livro acaba não sendo tão datado."
Serviço
Sob a sombra da suástica
De Franciele Becher. Editora Contexto, 256 páginas. R$ 62,50. Lançamento hoje, às 19h30, na Livraria Circulares (SHCGN 714/715)
