
Quem nunca, diante de um sonho impossível alcançado, pensou: “nem era para eu estar aqui”. Esse pensamento é o reflexo da vida e da carreira do rapper TOKIODK, natural do Rio de Janeiro. O sucesso do artista, longe de ser obra do acaso, é o resultado de uma maratona percorrida há mais de uma década. Além, é claro, de escolhas radicais e uma fé inabalável. Hoje, com milhões de ouvintes no Spotify, vê em tudo o que viveu a prova de que era realmente escolhido.
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A trajetória que começou com aptidão em redações escolares e passou pela profissão de motoboy, agora, vislumbra os palcos mais importantes do rap brasileiro. Para ele, a música sempre foi o plano, mas a sobrevivência era a prioridade. Antes de estourar, dividia o tempo entre a faculdade de educação física e o trabalho como inspetor de escola. A decisão de viver da arte veio acompanhada de um sacrifício. "Larguei tudo para virar motoboy, para ter mais tempo de gravar. Trabalhava de 7h às 19h e, quando chegava em casa, ia gravando meu disco", revela.
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Esse esforço, depois de muito tempo de trabalho, gerou o álbum Anti-Herói, lançado em 2022. O retorno foi imediato e transformador. De um salário de R$ 900 como inspetor, Tokio viu sua realidade saltar para ganhos dez vezes maiores em poucos meses. "Foi o que mudou a minha vida. Foi quando eu falei: mano, posso viver isso”, relembra o artista carioca. A trajetória, porém, teve percalços.
Após o sucesso inicial, Tokio quase se perdeu em contratos com gravadoras que não entendiam sua essência. O resgate veio por meio do também rapper L7NNON e do selo HHR, do qual ele é idealizador. "O Lennon é um dos melhores seres humanos que já conheci. Você aprende a ser uma pessoa melhor vendo as atitudes dele", destaca. Essa liberdade o levou a ter ainda mais coragem para exercer a própria criatividade.
Ódio, esperança e a trilogia
Atualmente, Tokio prepara uma trilogia ambiciosa dividida nos atos Infração — 1º Ato, seguido do próximo projeto, intitulado como Estilhaços e Cicatrizes. Sua arte, agora, reflete uma mudança interna profunda: a troca da procrastinação pela fé. "Eu escrevia sobre ter esperança, mas eu não tinha. Hoje, meu mundo espiritual me ajuda a trazer não só o lado do ódio, mas também da esperança. Por mais que tenha a realidade pesada, tem a certeza de que as coisas vão mudar."
Essa verdade visceral é o que conecta Tokio ao mundo dos esportes. Suas rimas são trilha sonora constante para astros como Neymar e Charles do Bronx, e ecoam até na Rússia, em entradas de lutadores de MMA no octógono. "Minha música está falando mais do que a minha imagem. Ela alcança as pessoas sem eu precisar de treta ou fofoquinha. Fico feliz que tanta gente esteja se identificando", explica.
Isso tudo, segundo ele, da maneira mais orgânica possível. Nas redes sociais, as músicas que falam sobre sair de uma realidade difícil para alcançar o topo fazem muitos se emocionarem e desejarem mais para a própria vida. Bebendo de fontes que vão de Racionais e BK' à sofisticação de Caetano Veloso e Djavan, o rapper busca aprimorar a lírica romântica e explorar novas sonoridades, como o remix com sample de Ferrugem que parou o TikTok e fez o pagodeiro se apaixonar.
De escolhas ousadas a músicas que conquistam o rap, o artista carioca consolida-se como uma das vozes mais autênticas do gênero. Entre a lírica das ruas e a melodia do amor, ele segue provando que, embora "nem era para estar aqui", seu lugar no topo é mais do que merecido. É muito tempo tentando o mesmo sonho, aprimorando, tentando, fazendo de novo e de novo”, finaliza.

Diversão e Arte
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