RIO DE JANEIRO

Shakira reuniu 2 milhões de pessoas em Copacabana, diz prefeitura do RJ

Apresentação gratuita da artista colombiana consolida a versatilidade do projeto Todo Mundo no Rio, que tem continuidade garantida até 2028 e já gera expectativa sobre as próximas atrações

Rio de Janeiro — Este fim de semana entrou para a história dos grandes espetáculos no Brasil. Diante de uma multidão estimada em 2 milhões de pessoas, segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, a cantora colombiana Shakira protagonizou o maior show de sua carreira na Praia de Copacabana, consolidando o projeto Todo Mundo no Rio como um dos principais eventos culturais do país. O megashow gratuito transformou a orla carioca em uma imensa pista de dança e reafirmou a força da conexão entre a artista e o público brasileiro, que acompanhou cada verso em coro, do início ao fim.

A apresentação começou com um espetáculo tecnológico à altura da grandiosidade prometida. Mais de 1.500 drones, em performance desenvolvida pelo Studio DRIFT, iluminaram o céu da Zona Sul carioca ao desenharem um lobo gigante — símbolo recorrente na trajetória da artista — e convidarem a multidão para um uivo coletivo que ecoou pela praia. Além disso, a mensagem "Te amo, Brasil" foi traçada no breu. A cena abriu caminho para uma noite marcada por hits, emoção e forte apelo visual.

Com estrutura montada para receber uma das maiores concentrações de público já registradas em Copacabana, o evento contou com 16 torres equipadas com som, iluminação e telões de LED de nove metros de altura, distribuídas ao longo da areia até a Avenida Princesa Isabel. Além da orla lotada, milhares de pessoas acompanharam o espetáculo das sacadas de prédios e hotéis, enquanto dezenas de embarcações se posicionaram no mar em busca de um ângulo privilegiado.

Visivelmente emocionada, Shakira interrompeu o show em diversos momentos para agradecer ao público. Em uma das falas mais marcantes da noite, dirigiu-se especialmente às mulheres presentes: “Esta noite cantei rodeada por milhões. Vi mães, vi filhas, vi mulheres que sustentam o mundo sem perder a alegria. Isso foi para vocês. Obrigada, Rio”.

O repertório da colombiana, de 49 anos, reuniu clássicos que atravessam gerações e também reservou surpresas. Um dos momentos mais celebrados foi a primeira execução ao vivo de Can’t Remember to Forget You, recebida com entusiasmo imediato pelos fãs. Ao final do espetáculo, a catarse coletiva explodiu ao som de Waka Waka, o hit da Copa do Mundo de 2010 que ainda hoje emociona. Nesse momento, ela convidou ao palco um grupo de dança do Complexo da Maré, liderado pelo dançarino e influenciador Raphael Vicente, todos vestindo roupas verde-amarelas.

Mas o que conferiu à noite contornos ainda mais simbólicos foram as participações de peso da música brasileira. Ao lado de Anitta, a colombiana incendiou a praia com a performance de Choka Choka. Com Caetano Veloso, entregou um dueto delicado em Leãozinho. Já a presença de Maria Bethânia emocionou o público em uma interpretação coral de O que é, o que é. A energia carnavalesca veio com a bateria da Unidos da Tijuca, enquanto o reencontro com Ivete Sangalo reviveu o clima festivo de País Tropical.

"Eu cheguei aqui quando tinha 18 anos, sonhando em cantar para vocês. Olhem agora para isso. A vida é mágica", declarou Shakira, que encerrou o show cantando o sucesso She Wolf. Antes de subir ao palco, ela orquestrou a exibição de mensagens na fachada do Copacabana Palace que declaravam apoio ao fim da escala 6x1 e à tarifa zero no transporte público coletivo, além de repúdio à anistia aos golpistas.

Críticas a atraso de Shakira

Apesar do impacto visual e da dimensão histórica, a apresentação não passou sem ressalvas. O show, previsto para as 21h45, começou com atraso de uma hora e vinte minutos. O motivo oficial divulgado foram "problemas pessoais", fontes apontaram ao Correio que a artista teria se abalado com notícias sobre o estado de saúde do pai pouco antes da entrada no palco.

Parte do público também reclamou da transmissão exibida nos telões, marcada por cortes bruscos e enquadramentos considerados confusos. Houve ainda observações sobre momentos em que o uso de playback se tornou perceptível, além de insatisfação com a área reservada a convidados e patrocinadores, considerada excessivamente extensa, o que afastou o público geral do palco.

Ainda assim, o saldo operacional foi amplamente positivo. O esquema especial de segurança e mobilidade montado pela prefeitura e pelo governo estadual garantiu um fluxo ordenado de chegada e dispersão, repetindo o modelo adotado em grandes eventos recentes da cidade. No dia seguinte, a orla de Copacabana já estava completamente limpa.

Realizada pela Bonus Track, com apresentação da Corona e patrocínio da Prefeitura e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a apresentação foi transmitida nacionalmente pela TV Globo, além de Multishow e Globoplay.

Projeto até 2028

Esta é a terceira edição do projeto que trouxe ao Brasil as cantoras Madonna e Lady Gaga. De acordo com o Diário Oficial do Município, o show de Shakira custou cerca de R$ 15 milhões aos cofres municipais. Segundo estudo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, em parceria com a Riotur, o Todo Mundo no Rio deve movimentar quase R$ 800 milhões na capital fluminense, considerando gastos com hospedagem, alimentação, transporte e comércio.

O espetáculo reforça a vocação de Copacabana como palco de eventos globais e garante a continuidade do projeto até 2028. A expectativa para as próximas edições já tomou conta das redes sociais. 

*O jornalista assistiu ao show a convite da Ambev e da Bonus Track

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