Histórias grotescas extraídas de jornais, causos compartilhados por amigos e memórias pessoais se tornaram matéria narrativa para Sergio Leo. Desde o último livro de contos, lançado em 2008, que lhe rendeu Prêmio Sesc de Literatura, o autor se debruçou sobre diferentes temáticas. Quando decidiu compor um novo livro é que percebeu um fio condutor: a preocupação com os relacionamentos. O título Corpos estranhos resume a busca literária pelo núcleo das atitudes humanas. O lançamento da obra será, hoje, às 18h30, no Beirute (109 Sul).
Os contos reunidos no livro têm como pano de fundo tanto situações corriqueiras, como uma partida de futebol, quanto esdrúxulas, a de um homem de sete dedos em cada pé que não consegue encontrar bota que o sirva para lutar na guerra. Mas todo conto narra duas histórias, segundo o escritor e teórico Ricardo Piglia, definição com a qual Sergio Leo concorda. "O texto tem uma aparência, mas vai além." Em alguns casos, pode ser discutir a privacidade de um casal, a força do acaso, as redes sociais.
"Sempre falei muito de corporeidade. Acima de questões políticas, sociais, filosóficas, somos um corpo", comenta Sergio Leo. O também jornalista e artista plástico considera essa questão, que atravessa a estética, como "essencialmente humana". No saldo do que descreve na obra, o autor se vê como "levemente pessimista". "As pessoas nunca são o que parecem ou o que queremos."
Algumas referências estão postas de maneira direta. São os casos de Waly Salomão e Lima Barreto, a quem Sergio Leo presta homenagem em contos. Kafka, Tchekhov, Machado de Assis, Jorge Luis Borges e César Aira, por sua vez, influenciaram com a ironia, a precisão formal, entre outros fatores. "Outra preocupação que atravessa toda a obra é de ordem formal. Como narrar uma história? A forma não é apenas uma embalagem, está diluída no próprio conteúdo", explica o contista, que diz ter feito esforço de romper clichês presentes em manuais de escrita.
Serviço
Lançamento do livro Corpos estranhos (editora Patuá, 101 páginas), de Sergio Leo, hoje, no Beirute (109 Sul).
*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco
