**São Paulo (SP) — Poucos cantores conquistam o privilégio de manter duas horas de show com um coro ininterrupto do público. Em São Paulo, na abertura da mais recente turnê, Djavan esbanjou a variedade de sucessos que o acompanham desde o primeiro disco, de 1976. O Correio, entre as mais de 45 mil pessoas presentes, participou da estreia de Djavanear 50 anos, que chega a Brasília no dia 27 de junho.
Os fãs testemunharam uma performance sublime. Consciente em cada movimento, Djavan abriu o show com a música Sina, prelúdio de "irremediáveis gritos de prazer". Enquanto distribuía beijos e mostrava o gingado, Djavan cantou Te devoro, Boa noite e Cigano.
Ao cumprimentar o público, lembrou a importância de São Paulo para o embalo na carreira. "Foi aqui, cinquenta anos atrás, que a música Fato consumado conquistou o segundo lugar no festival Abertura. É um marco importantíssimo para mim. A partir dali, dediquei minha vida toda à música." Os arranjos coordenados por Djavan, com trompetes, saxofone, além de baixo, bateria, guitarra e teclados mantiveram em alto nível a potência sonora das canções.
A protagonismo da voz e do violão, em Meu bem querer e Oceano apresentou os momentos mais celebrados entre os fãs, que aplaudiram de pé. "Cantaram lindo. Vocês me ajudam muito", retribuiu Djavan.
De famosos a anônimos, fãs de Djavan
A cantora Liniker fez questão de prestigiar o show. "Djavan é uma inspiração, referência para o meu trabalho. Não poderia perder", disse. Nair Brito, 30 anos, reuniu sete familiares, todos com camisetas estampadas de Djavan. Segundo ela, o gesto é uma maneira de retribuir a paixão que herdou em casa. "Tenho um amor genuíno por ele, foi um prazer em organizar essa vinda", comentou.
Se Nair passou a gostar do Djavan por influência da família, Kauanny Basília, 14 anos, fez o contrário. Foi ela quem fez a mãe, Fernanda, gostar do cantor. "Estou aqui por ela. Meu presente do dia das mães é vê-la sorrir." Sidney Miranda e a mulher, Fabiana Oliveira, percorreram, de Campinas a São Paulo, quase 100 km para trazer Alice, de 16 anos, ao primeiro show da vida. "Comecei a gostar de MPB por causa deles", explica. "Viemos escutando no caminho, Djavan tem músicas muito bonitas", opina.
*Estagiário sob supervisão de Ronayre Nunes
**O repórter viajou a convite da equipe de Djavan
