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Embaixadores da música jovem: Gilsons faz show no Centro de Convenções

O grupo Gilsons desembarca na capital, no Ulysses Centro de Convenções, com nova turnê do projeto Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão

Os Gilsons chegam a capital nesta quinta-feira  -  (crédito: Marina Zabenzi/ Divulgação )
Os Gilsons chegam a capital nesta quinta-feira - (crédito: Marina Zabenzi/ Divulgação )

Com a música no DNA, os Gilsons, trio formado por José Gil, Francisco Gil e João Gil, filho e netos de Gilberto Gil, tem apresentação marcada na capital, no Centro de Convenções Ulysses. O grupo  apresentará canções do novo projeto Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão e sucessos do primeiro disco, como Várias queixas, Love love e Deixa fluir. Os Gilsons marcam a nova geração da MPB com identidade que mistura os ritmos brasileiros com pop, samba e influências contemporâneas.

Francisco Gil, vocalista e violonista do trio, conversou com o Correio sobre o amadurecimento do grupo, a chegada de uma nova onda de artistas na música popular brasileira e sobre a relação do trio com a capital.

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Entrevista // Francisco Gil

Vocês estão iniciando uma turnê por mais de 30 cidades. Como vocês percebem a recepção da música brasileira em culturas tão diferentes?

Olha, a gente sente que, de alguma forma, já se tornou uma espécie de embaixadores dessa juventude que faz música brasileira. E sentimos muito isso porque, quando chegamos fora, percebemos que entramos num lugar de preencher essa saudade de casa dos brasileiros que encontramos mundo afora. Isso é muito forte nas turnês internacionais. Sentimos que preenchemos esse lugar, o que é muito bom. E os gringos também, todos que vão, se alimentam nessa brasilidade não só da nossa parte, mas muito também por causa do público. É lindo ver isso acontecer. E, aqui no Brasil, sentimos a pluralidade que é o país e a forma como ele se abraça. Como vamos nos encontrando na estrada e nos surpreendendo com a recepção calorosa do público é muito lindo. Rodar o Brasil é uma dádiva, cada vez gostamos mais e queremos ir para lugares novos.

Vocês acumularam indicações ao Grammy Latino, Prêmio Multishow e palcos como Rock in Rio e Lollapalooza. Em algum momento, vocês dimensionaram que o projeto ganharia essa proporção global tão rápido?

A gente nunca imaginou, lá no início, que chegaria nesse lugar. Bem sinceramente, o projeto nasceu de um lugar muito despretensioso; um projeto que nem tinha a intenção de ser um projeto. Começou com um show, evoluiu para um segundo, já ganhou um nome e, aí, fomos seguindo e fazendo. Acho que essa é a maior beleza, a beleza da despretensão, porque ela permite espaço para o genuíno, para o espontâneo. E ainda mais se tratando de um encontro, que não é sobre o que é espontâneo para mim, para o José ou para o João, mas o que é espontâneo no encontro de nós três. Então, isso carrega muito da nossa história, da nossa história familiar e da nossa infância. E, ao chegar nesses lugares, ficamos olhando para aquelas crianças, para aquelas brincadeiras, e vendo até onde elas nos levaram. Ficamos muito orgulhosos de tudo isso.

Esse novo show promete reunir os grandes sucessos da carreira com as canções do álbum recém-lançado. O que esse novo trabalho traz de amadurecimento em relação ao primeiro álbum?

Esse trabalho por si só já é um amadurecimento, um progresso da nossa sonoridade e da nossa vida enquanto banda. Então, é muito natural que isso se reflita ali, muito por termos conquistado confiança no nosso trabalho graças ao público. O público vai nos ajudando também a construir essa sonoridade, porque passamos a entender onde surpreendê-lo e onde agradá-lo. Então é um show muito fiel a essa característica de querermos trazer coisas novas, mas, ao mesmo tempo, abraçar a nossa história. É trazer o público para um lugar em que quem já escuta Gilsons se sinta confortável, embora a gente ouse realmente em trazer as músicas todas novas do disco. Costumamos até pedir licença para tocá-las, mas temos sido abraçados de uma maneira muito positiva. E esse amadurecimento também se reflete no show em si. Agora, por termos conquistado essa possibilidade, temos trabalhado muito a questão das luzes e dos telões, que exibem os nossos filmes e as nossas coisas. Contamos uma história no show; ele tem uma narrativa muito bonita.

Carregar o DNA da família Gil na música é uma grande responsabilidade e vocês conquistaram uma identidade própria. Como vocês avaliam o papel dos Gilsons na renovação da MPB?

Acho que a nossa MPB vive nessa constante retroalimentação, que eu acho que é a coisa mais linda. Vamos nos alimentando da nossa história, das referências mais antigas, e, ao mesmo tempo, vamos bebendo de tudo o que está acontecendo. Então vemos muito do que fazemos se tornando referência para outros trabalhos, e os outros trabalhos se tornando referência para nós e para todos os artistas. Acho que se trata de termos entrado nessa roda. Entramos em um espaço em que essa retroalimentação ocorre constantemente. O mais bonito disso tudo é hoje termos uma cena aquecida e que se aquece por si mesma. Temos muitos amigos e artistas lançando discos maravilhosos, e ficamos escutando e encontrando essas pessoas. É maravilhoso.Nesse final de semana mesmo teve um festival e encontramos lá a turma do BaianaSystem, a do Lagum, a Marina Sena, Os Garotin estavam lá, a Anavitória... uma turma toda que sempre estamos encontrando. Agora, com esse show novo rodando, estamos voltando a fazer festivais. É muito bom ver isso acontecer.

Qual a relação do grupo com Brasília?

A nossa relação com Brasília começa lá atrás. Imagino que para os meninos também, mas muito de quando seu Gilberto [Gil] foi para o ministério. Foi a primeira vez que fui a Brasília, o José também. Então, tem um peso da cultura nesse lugar. Eu não diria nem exatamente político, mas digo da cultura enquanto algo essencial, como diz o meu avô: algo ordinário, uma necessidade básica mesmo. Então, existe um lugar de ver a cultura com seriedade. Quando chegamos em Brasília, somos recebidos de uma maneira maravilhosa. A gente ama tocar em Brasília. Ela coloca para nós esse lugar da música como ofício, como uma coisa séria mesmo. Acho lindo.

 


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postado em 04/06/2026 04:53
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