
Crítica // 8 décadas de amor ★★
O destino como agente do incontrolável está sistematicamente na obra do diretor espanhol Julio Medem, à frente de filmes como Lucia e o sexo (2001) e Os amantes do Círculo Polar (1998). Dono de dramalhões como Ma ma (2015) e de filmes que remexem no tempo, como Caótica Ana (2007), Medem parecia a pessoa ideal para investir em 8 décadas de amor, estrelado por Javier Rey e Ana Rujas, respectivamente, Octavio e Adela na trama. Loreto Mauleón, na pele da melancólica e nervosa Claudia, e Carla Díaz, no papel da carismática Rosa, tomam parte do elenco que conta ainda com Álvaro Morte (A casa de papel), no papel do conservador Maurício.
Mortes por motivação políticas e impactos sociais, além da "paciência" e da "esperança" necessárias ao ato de uma boa pescaria (elemento vital na narrativa), sedimentam muito do drama do filme marcado por tom autoexplicativo e erotismo inexistente (um pecado, em se tratando de Medem). Segmentado, o longa, que conta com montagem de Julio Medem, é coerente com o espaçamento de tempo que abraça, mas acusa a falta de intimidade entre os pretensos apaixonados. A direção de fotografia de Rafael Reparaz opta pela facilidade de registros e recursos bastante óbvios. Impulsionado pela nascente Segunda República espanhola, nos anos de 1930, o longa tem narrativa distendida até 2021.
A síntese de todo este tempo, além de excessivamente breve, incorre em simplificação extrema. O pretensioso retrato de um amor, encravado junto à Guerra Civil, traz cores fortes, situações exageradas — com apelos de violência e desespero —, mas carece de direção. Coincidências e eternas separações do casal atravessam momentos caóticos de ações separatistas na Espanha. Sentimental ao cubo, o filme traz momentos de forte registro musical, boas (mas raras) tiradas cômicas e conflitos potentes (até mesmo no futebol, com disputa entre o Real Madrid e o Barça). Mesmo assim, parece pouco.
Escritor, Julio Medem também coloca a literatura como elemento importante na fita que trata de redenção e investe em sentimentalidade assumidamente melodramática. Traços fatalistas e a promessa de um cinema com carga mágica, à la Jean-Pierre Jeunet, não se confirmam, apesar dos acenos. Promessas de reconciliação, embutidas na fita que prega a união dos espanhóis, soam positivas, mas o invólucro da produção vem demasiado frouxo.
Corações enamorados
Um pouco mais ao sul do coração de Brasília, o Cine Brasília (EQS 106/107) aposta numa programação especial para o Dia dos Namorados, nesta sexta (12/6) com filmes amplamente adorados pelo público. Às 15h15, será a vez de O amor não tira férias, comédia com Lude Law, Jack Black, Kate Winslet e Cameron Diaz, popular à cada reprise. Ás 18h, Diário de uma paixão reúne talentos de James Caan, Gena Rowlands e Ryan Gosling; e, na saideira, às 20h35, Um lugar chamado Notting Hill traz o brilho e a química única entre Julia Roberts e Hugh Grant.
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Mariana Morais