
Há muitas formas de homenagear Chico Buarque, mas o quarteto Escafandristas escolheu um caminho menos tradicional: mergulhar fundo no cancioneiro do compositor para revelar novas camadas de suas canções. O resultado é Escafandristas cantam Buarque, álbum de estreia do grupo formado por Alice Passos, Luísa Lacerda, Renato Frazão e Thiago Amud, lançado nas plataformas digitais. Com participação especial de Chico Buarque, o trabalho reúne 15 composições do cantor em versões que transitam entre a delicadeza e a experimentação.
Criado em 2024 para celebrar os 80 anos de Chico, o quarteto nasceu de uma admiração compartilhada. A seleção do repertório foi construída a partir de uma lista inicial de cerca de 80 músicas, procurando equilibrar canções consagradas e obras menos conhecidas. Assim, clássicos como Construção, Cotidiano, Futuros Amantes e A Volta do Malandro convivem com pérolas menos frequentadas do repertório buarqueano, como Sonhos sonhos são e A ostra e o vento.
Para Thiago Amud, o desafio principal consistiu na criação de versões inéditas para músicas que já fazem parte da memória afetiva de tantas pessoas. "A maior dificuldade foi a de equilibrar uma convocação amorosa dessa memória e um sutil tensionamento dela, capaz de contrariar um pouco, mas não muito, aquilo que ela supõe que lhe seria dado", conta o cantor.
Encontro com o mestre
A conexão afetiva dos integrantes com a obra do homenageado acabou se transformando em algo ainda mais especial. Depois de uma série de apresentações lotadas no Rio de Janeiro, os Escafandristas chamaram a atenção do próprio Chico Buarque. Em dezembro de 2024, o grupo realizou uma audição particular para o compositor e sua família. A aproximação abriu caminho para uma participação que se tornou um dos momentos mais simbólicos do disco.
Em A Volta do Malandro, Chico divide os vocais com um coro formado por sua irmã, Ana de Hollanda, suas filhas, netas e neto. O convite ao compositor, segundo Alice Passos, foi feito sem grandes expectativas. A resposta positiva veio algum tempo depois. "Eu senti um misto de alívio, porque passamos por um processo de convencimento para que a gravação acontecesse, e também de alegria, empolgação, ansiedade. Ter o Chico no disco é como uma validação ao nosso trabalho, é como se o autor das músicas estivesse dizendo 'ouçam que vale a pena'", admite a cantora.
A presença da família Buarque aparece ainda em As Minhas Meninas, faixa que reúne as netas Cecília, Clara, Irene, Lia e Teresa Buarque. O disco também abarca outras participações especiais. O compositor, cineasta e dramaturgo Ruy Guerra declama um poema de sua autoria em O Que Será, enquanto o cantor e compositor Giuliano Eriston participa de Brejo da Cruz.
Escafandristas cantam Buarque está disponível em todas as plataformas digitais pela gravadora Biscoito Fino.
*Estagiária sob a supervisão
de Severino Francisco

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