Preparar o coração pulsante do maior festival folclórico do país, escrever uma comédia contemporânea para Lisboa e lançar um guia técnico para atores. Este é o atual mapa de trabalho de Ricardo Cônti, ator, diretor e preparador de elenco, que transita entre a ancestralidade do Boi Caprichoso e as metodologias da preparação para a câmera.
Enquanto o aclamado Festival de Parintins se aproxima, Ricardo Cônti está imerso na preparação cênica dos grandes protagonistas do Boi Caprichoso. O trabalho, segundo ele, vai além da técnica. "É fornecer um olhar mais preciso na teatralização dos itens", explica, referindo-se às estrelas do evento, como a Cunhã Poranga, o Amo do Boi e o Pajé.
Para Ricardo, a experiência tem sido transformadora: "Parintins é a famosa ilha da magia, no seio da Amazônia, com toda a sua celebração ancestral. Estou levando a minha arte para o melhor lugar que poderia sonhar estar". Ele compara a grandiosidade do evento a outros trabalhos marcantes, como a direção artística do Natal Luz de Gramado, mas classifica a imersão no boi-bumbá como "uma experiência única".
Em paralelo à folia amazônica, Ricardo se dedica à escrita da peça Toalete, com estreia prevista para este ano em Lisboa. Esta será sua estreia como autor teatral, um marco aguardado há anos. "Assumir o crédito autoral é o que almejo a muitos anos, como plano de vida", revela. A comédia contemporânea, pensada para duas grandes atrizes portuguesas, já tem potencial para montagem no Brasil. A ligação com Portugal é forte em sua carreira; ele viveu no país por oito anos e ainda dirige musicais para a produtora Plano 6. "Fazer Brasil e Portugal é a cereja no bolo", resume.
Outro projeto de fôlego é o lançamento do livro + de 100 Monólogos para a preparação de atores - O poder da câmera, previsto para julho. A obra é a materialização de um curso de treinamento que Ricardo desenvolve há mais de uma década, focado na linguagem audiovisual. "A ideia da publicação veio da necessidade dos atores desse material para o desenvolvimento nesse formato", conta.
Atualmente, ele ministra o curso ao lado do ator Heitor Martinez em escolas de prestígio como a CAL (Rio de Janeiro) e a Célia Helena (São Paulo). A partir de agosto, a dupla integrará também o corpo docente dos programas de bacharelado da instituição paulistana, consolidando a transição da prática para o ensino formal.
Para 2027, está prevista a estreia da nova temporada de Impuros, na qual Ricardo atua. Apesar de ter uma trajetória com passagens por novelas e séries, ele não vê a teledramaturgia como único caminho para a notoriedade. "A notoriedade nas novelas é incrível para que o artista arraste esse público para os seus espetáculos, mas não acho que seja fundamental", pondera, citando o próprio Festival de Parintins como exemplo de manifestação cultural de grande sucesso independente da televisão.
Com quase 30 anos de carreira, que incluem passagens pelo cinema (Crô, Rio de Sangue) e teatro clássico (Macbeth), além do musical Tom e Vinicius, Ricardo afirma que ainda falta realizar muita coisa. "Minha arte já me levou por muitos lugares, do Amazonas a Gramado, de Barcelona a Lisboa... Mas ainda falta poder viver oportunidades como Parintins, as peças que espero encenar e as histórias que desejo eternizar", finaliza.
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