Estreia

Defesa das origens profundas prometem movimentar a trajetória de 'Moana'

Transposição do desenho Moana para live-action reforça traços culturais da protagonista que encara um desafio de libertação

Catherine Laga'aia 
é a protagonista 
de Moana,
da Disney -  (crédito: Fotos: Disney )
Catherine Laga'aia é a protagonista de Moana, da Disney - (crédito: Fotos: Disney )

"Fazer um filme sozinha é meio chato", contou a atriz australiana Catherine Laga´aia, aos 19 anos, para o The New York Times, recentemente. O tom de queixa da protagonista de Moana vem da excessiva atuação frente a uma tela azul (a ser enxertada por imagens mexidas no computador). O tom choroso em nada se prolonga, quando ela analisa a importância de encabeçar o live-action conduzido para Disney por Thomas Kail. "Moana, o filme de animação de 2016, mudou minha vida de tantas maneiras, servindo de grande inspiração para mim quando eu era mais jovem. Ter uma princesa da Disney que vem da sua cultura é algo muito especial a ser celebrado", observou.

Filha de Jay, um reconhecido ator de ascendência samoana, Catherine tem muitos dos sete irmãos atuando no teatro musical. Para a seleção no novo filme, que vem na esteira da participação na minissérie As flores perdidas, a nova estrela de cinema enfrentou mais de 32 mil colegas, em afunilada concorrência. "No momento em que Catherine entrou na sala durante o teste, senti que tinha encontrado a Moana. Ela interpretou duas cenas e cantou How far I'll go, e as emoções daquele momento ainda estão vivas em minha memória. Ela cantou muito bem, mas também senti que ela realmente compreendeu as emoções. Depois de ouvi-la cantar, levantei-me imediatamente da cadeira", registrou o diretor, na rodada de entrevistas internacionais.

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Peça fundamental ao filme, Catherine, vista por meio das declarações em noticiários estrangeiros, com afirmações inesperadas sobre a vida pessoal, parece descolada do impacto que o novo filme terá na carreira. "Se não é um dia bom para os meus cachos de cabelo, eu simplesmente não funciono" foi das declarações juvenis em que, com visibilidade, fala da predileção por beber água com muito gelo; gostar de caminhar, até por não ter carteira de motorista e da gana por macarrão simples, de pacote, com generosa dose de queijo parmesão.

Engrossando a lista de mais de uma dúzia de animações transformadas em live-action, Moana, junto com a nova estatura para a artista Catherine Laga´aia, fortalece o imaginário da menina resiliente entre obrigações na ilha natal de Motunui (no Pacífico Sul) e a jornada rumo ao oceano aberto. "A sensação de perigo ao ver Catherine — uma adolescente — no meio de tempestades é diferente quando há uma pessoa vivenciando aquilo. Por isso, acredito que a sensação de aventura e perigo fica realmente intensificada nesse aspecto, no live-action. Nada disso diminui a diversão ou o entretenimento; acho que isso cria um belo contrapeso para toda a alegria que buscamos transmitir", observou o diretor, reconhecido nos bastidores das produções musicais da Broadway, e vencedor de prêmios Tony, pela montagem de Hamilton, que contou com o talento do compositor Lin-Manuel Miranda, também integrado ao filme Moana.

Descendente de porto-riquenhos, Manuel-Miranda é autor de refrões de sucessos colados a títulos como A pequena sereia (2023), Encanto (2021) e Mufasa: O Rei Leão (2024). Momentos antológicos como a carga de empatia defendida pela protagonista, quando encara confronto com a deusa Te Kã (com coração inexistente), prometem ser explorados na aventura que faz reviver memórias da animação Moana: Um mar de aventuras. Mistérios serão desvendados neste longa que traz Moana como uma navegadora em busca do posto de liderança, ao se falar do destino de Te Fiti, da interferência do semideus Maui (papel reprisado por Dwayne "The Rock" Johnson), tudo com a presença cômica da dupla Pua, um divertido suíno, e Heihei, um galo atrapalhado.

Impacto prometido

O filme original Moana (2016) e Moana 2 (2024) transmitiram muito sobre traços culturais para milhões de pessoas. E, com a versão em live-action, projeta-se que haja a atração tanto do público que assistiu à animação quanto aquelas pessoas que, talvez, tenham pensado: "Animação não é para mim, mas vou experimentar essa nova vivência (com um novo filme)", defende o cineasta Thomas Kail, ao tratar de Moana, com atores de carne e osso, recém-estreado nas salas de cinema.

Moana chega às salas de exibição, junto a um engavetamento de superproduções que incluem A Odisseia e Homem-Aranha: Um novo dia, abarcando um desafio extra casado ao momento em que é lançado. A defesa da cultura polinésia permeia a trama em que Chefe Tui, um pai protetor, deve dar espaço para o desenvolvimento da jovem Moana, criada junto da mãe Sina e da Vovó Tala, no Pacífico Sul. Com a intenção de reverter a postura ultraprotetora de Tui, Moana objetiva uma completa libertação, patente no desafio de adentrar o ramo da navegação. Neto do lutador samoano Fanene Leifi Pita Maivia, que era mais conhecido como "Alto Chefe" Peter Maivia, o astro Dwayne Johnson, passados 10 anos das dublagens, na animação original, volta ao posto do semideus Maui. Durante uma passagem recente pelo Rio de Janeiro, Dwayne contou da inspiração direta em Alto Chefe, celebrado em atitudes do personagem, nas tatuagens aplicadas para a composição do papel e ainda no tipo de cabelo adotado.

Reconhecimentos ancestrais atravessam toda a trama, e ainda se esparramaram nos bastidores, como visto nos três colares de pounamu (uma rocha ornamental) ostentados pela aspirante a estrela Catherine Laga´aia, que assume o protagonismo. "Um dos pingentes que tenho traz o formato parecido com um anzol, e uso-o há três anos. Ganhei pouco antes de começar a trabalhar em Moana. Meu tio e minha tia me deram de presente como uma espécie de bênção e um amuleto de proteção para levar comigo. É um rito de passagem presente em muitas famílias, especialmente na minha", explicou a atriz, em entrevista.

O vínculo com memórias e ancestralidade associados a um povo em risco redesenha momentos da princesa que cantarola músicas criadas por Mark Mancina e pelo letrista Lin-Manuel Miranda. Moana promete registrar um encantamento com o vigor da jovem protagonista que busca rearranjar o equilíbrio da natureza, e fugir do controle excessivo do pai, tendo por ajudante uma divindade que tem singulares poderes como o de laçar o sol.

 

 

 

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postado em 09/07/2026 11:05 / atualizado em 09/07/2026 11:53
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