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Barão Vermelho dá início a turnê que desembarca em Brasília na próxima semana

Em formação original, Barão Vermelho retorna aos palcos com sucessos de mais de quarenta anos de história

Barão Vermelho retorna aos palcos em sua formação original  -  (crédito: Pedro Dimitrow/Divulgação )
Barão Vermelho retorna aos palcos em sua formação original - (crédito: Pedro Dimitrow/Divulgação )

Roberto Frejat, Guto Goffi, Maurício Barros e Dé Palmeira já deixaram sua marca eterna na história da música brasileira. Com mais de 40 anos de história e muitos sucessos do grupo, alguns com a voz de Cazuza, o Barão Vermelho começa a turnê Barão Vermelho Encontro com sua formação original. Na capital, a apresentação será no Capital Moto Week no dia 1 de agosto.

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O repertório do show vai passar por todas as fases do grupo com grandes canções como Bete balanço, Por você, Codinome beija-flor, Todo amor que houver nessa vida e Pro dia nascer feliz. O grupo conversou com o Correio sobre o marco do grupo na música brasileira, a relação deles com Brasília e sobre a marca deixada por Cazuza.

Entrevista//Barão Vermelho

Brasília sempre teve um papel importante na cena do rock brasileiro. Que lembranças vocês têm da cidade? Existe algum episódio marcante do Barão na capital?

Dé Palmeira: A primeira vez que a gente foi a Brasília, a gente foi tocar num cinema ao ar livre, em 1983, e foi muito legal. Essa é uma lembrança que eu tenho para sempre na minha vida, porque eu não sabia o que esperar de Brasília, eu nunca tinha ido a Brasília. Eu era muito jovem nessa época e foi uma grande surpresa, um grande conforto saber que ali tinha jovem que nem a gente, tinha uma galera que gostava de música daquele jeito, que se identificava. A gente pôde trocar bastante, conhecer bastante gente e foi um momento de muita surpresa e muito calor mesmo, porque ficamos conversando com a galera que foi ao show e eram jovens que nem a gente, que queriam as mesmas coisas, tinham os mesmos anseios. Vimos que tinha uma nova geração surgindo e que um pensamento comum nos unia. E isso ficou guardado, eu sempre lembro desse dia como um dia muito especial. Eu adoro ir para Brasília, estou ansioso para tocar aí de novo, vai ser muito interessante.

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Cazuza teve uma curta, mas meteórica carreira. O que o tornou um ícone da música que, mesmo 30 anos depois da morte, continua tão lembrado? Na época, vocês tinham consciência de estar presenciando o nascimento de uma estrela?

Dé Palmeira: A carreira do Cazuza foi muito curta, apesar da importância que ela teve e que tem até hoje. Isso mostra o grande artista que ele foi, o grande poeta, grande letrista, grande compositor, cantor. E depois de sua morte, a gente precisa reconhecer o esforço, o trabalho de sua mãe, Lucinha Araújo, em manter a obra viva, manter a obra relevante, a imagem dele viva. Isso é uma coisa que ela fez ao longo desses 36 anos que se completam agora em 2026, e foi um trabalho feito com maestria, com muito carinho e muito amor. Isso ajudou muito as novas gerações a conhecerem as obras do Cazuza e a importância dele na música brasileira. Para mim, é incrível ter um cara que foi meu amigo de juventud e, hoje em dia, é nome de rua, tem vários livros a respeito dele, filmes, é uma coisa muito surpreendente. Mas não podemos esquecer que, no Barão, a gente tem o Frejat, que é um gigante da música brasileira também. E Guto Goffi e Maurício Barros, grandes compositores e que carregam a bandeira do Barão Vermelho até hoje.


Como as músicas do Barão, que eram retratos da época, se tornaram atemporais? Por que essas faixas ainda ressoam tanto entre o público?


Frejat: Eu acho que o que nos conecta com os públicos de todas as idades é que o assunto que tratamos não tem uma idade definida. A gente fala de amor, de relações pessoais. Isso sempre vai bater nas pessoas de alguma forma, por isso o nosso repertório não fica datado.

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Recentemente, o Frejat disse em uma entrevista que dificilmente os artistas de hoje conseguirão construir um repertório que fique no conhecimento de pessoas por décadas. Como é fazer parte de um seleto grupo que conseguiu deixar sua marca na história da música brasileira?

Guto Goffi: A geração 1980 conseguiu gravar o nome das bandas e dos compositores na história da música popular brasileira. Muitas músicas dessa geração fizeram sucesso, tocaram nas rádios em uma época que o rádio era muito mais democrático do que é hoje. Não havia ainda aquela coisa da segmentação de estilos por parte das rádios. Então, quando você fazia sucesso em uma rádio, você tocava no Brasil inteiro. E essa geração teve essa capacidade de escrever grandes músicas. É uma geração que foi posterior a uma época da MPB em que se valorizava muito as cantoras intérpretes. Não eram muitas as cantoras compositoras, algumas raridades tipo Ângela Rorô, que tinha um trabalho autoral, mas a maioria das cantoras eram mais intérpretes. A geração do rock veio como uma geração autoral mesmo. Com apoio de toda a mídia e a divulgação por parte das gravadoras, conseguimos perpetuar isso no inconsciente coletivo das futuras gerações.

Frejat: Na verdade, isso é até uma constatação triste. Frustrante a gente saber que dificilmente vai ter uma sequência dentro da música brasileira que consiga construir um repertório tão longo e tão grande quanto a minha geração e algumas gerações anteriores conseguiram fazer. Isso por conta da velocidade da informação, que hoje é consumida de uma forma brutal e tão absurdamente acelerada que as pessoas mal têm tempo de digerir o que veio e já tem uma nova informação para digerir. Muito dessa informação está misturada com a informação de qualidade, é uma informação rasa, superficial, isso fica tudo misturado e prejudicando muito a qualidade do conteúdo que está sendo feito. Tem muita gente fazendo coisa boa hoje, mas não é o que está sendo mais ouvido. E isso é muito frustrante.

Pro dia nascer feliz, inclusive, se tornou um dos principais hinos da geração dos anos 1980. O que ela significa para vocês? Acham que a música passou a ter outro significado ao longo dos anos?

Guto Goffi: Apesar de não ter sido uma música que nos conquistou desde o primeiro segundo, o Barão sempre acreditou muito nela. Depois daquela apresentação no Rock in Rio em 1985, quando o Tancredo Neves havia sido eleito o primeiro presidente civil após o golpe militar de 1964, realmente nessa hora no Rock in Rio, a catarse foi total. Todo mundo que estava ali, tanto nós no palco como a plateia, acreditávamos realmente num Brasil especial, uma geração futura muito poderosa, como fez o Cazuza naquele discurso, um Brasil novo com uma rapaziada esperta. E ali estava nascendo mesmo uma rapaziada esperta. Foi uma noite de sonho. E, honestamente, não sei muito o que ficou dessa esperança e desse sonho depois de tanta mudança política no país, mas a gente acreditava naquilo, num país melhor, uma rapaziada esperta e dando certo.

 

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postado em 26/07/2026 06:00
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