
Quatro décadas depois de ajudar a colocar Brasília no mapa do rock brasileiro, a Plebe Rude continua defendendo que a história construída pela cena musical da cidade precisa ser preservada. Em entrevista ao Correio, realizada neste sábado (22/8), durante o C6 no Rock, em São Paulo, o vocalista e guitarrista Philippe Seabra criticou a condução de projetos voltados à memória do rock brasiliense e cobrou do governo do Distrito Federal mais atenção ao patrimônio cultural ligado ao movimento.
A Plebe Rude abriu a programação deste sábado do C6 no Rock apresentando O concreto Já rachou, álbum lançado originalmente em 1986 e considerado um dos trabalhos fundamentais do rock de Brasília. Quarenta anos depois, a apresentação também serviu como ponto de partida para uma reflexão sobre o que restou daquele movimento e como a capital preserva — ou não — essa memória.
Entre as iniciativas citadas por Seabra está o projeto Rota Brasília Capital do Rock, desenvolvido por ele em parceria com a Secretaria de Turismo. A proposta reúne 42 pontos espalhados pela cidade que marcaram a trajetória do rock local, incluindo lugares relacionados à formação das bandas e à história da cena musical.
Segundo o músico, parte das placas que identificam esses locais chegou a ser instalada, mas não recebeu manutenção adequada. Outra parcela do projeto, afirma, ainda não conseguiu sair do papel. Para Seabra, a falta de continuidade ameaça um patrimônio que ultrapassa a trajetória de grupos como a Plebe Rude.
“O governo de Brasília que se toque que o rock de Brasília é uma coisa séria”, afirmou. Para o vocalista, o movimento representa um dos principais legados culturais da capital e ajudou a construir uma associação positiva entre Brasília e o restante do país. “É o legado de Brasília. E é uma coisa boa. Finalmente Brasília estava sendo bem mencionada na imprensa”, disse.
Seabra também afirmou que pretende retirar o projeto da Secretaria de Turismo caso não haja avanço na iniciativa. “Eu vou tirar esse projeto da Secretaria de Turismo. Isso é uma ameaça, sim”, declarou.
Procurada pelo Correio, a Secretaria de Turismo do Distrito Federal afirmou reconhecer a importância da iniciativa para a história do rock nacional e para o turismo de Brasília. Em nota, a pasta declarou que tem interesse em manter a Rota do Rock ativa e fortalecer sua continuidade, destacando que o projeto é promovido em eventos, feiras e congressos nacionais e internacionais e utilizado por empresas do setor, como agências de turismo, na elaboração de roteiros e na geração de negócios e renda.
Confira aqui a nota completa.
Criado pelo C6 Bank em parceria com a Dueto, o festival C6 no Rock celebra a geração do rock brasileiro que ganhou força nos anos 1980, com apresentações de artistas que ajudaram a construir esse capítulo da música nacional. A programação deste sábado (22) reúne Plebe Rude, Paulo Ricardo, Titãs e Os Paralamas do Sucesso, isso além de um tributo a Rita Lee. A curadoria é assinada por Hermano Vianna, Leonardo Lichote e Marcus Preto.
*Estagiária sob supervisão de Ricardo Daehn

Mundo
Mundo
Cidades DF